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  • UM ESTUDO SOBRE O KARMA

    Annie Besant

    Segunda Edição, 1917

     

    Conteúdo
    1 Princípios Fundamentais 16 Pensamento, o Construtor 31 Para Além do Passado
    2 Leis: Naturais e Humanas  17 Meditação Prática 32 Velhas Amizades
    3 A Lei das Leis 18 Vontade e Desejo 33 Crescemos quando Damos
    4 O Eterno Agora 19 O Domínio do Desejo 34 Karma Coletivo
    5 A Sucessão  20 Dois Outros Pontos 35 Karma Familiar
    6 A Causação 21 A Terceira Linha 36 Karma Nacional
    7 As Leis da Natureza 22 A Justiça Perfeita 37 O Karma da Índia
    8 Uma Lição da Lei  23 Nosso Ambiente 38 Desastres Nacionais
    9 O Karma não Oprime 24 Nossos Familiares 39 Como o Ego Escolhe
    10 Aplicação desta Lei 25 Nosso País 40 O Karma da Inglaterra
    11 O Homem nos Três Mundos 26 A Luz para um Homem Bom 41 A Revolução Francesa
    12 Entendendo a Verdade 27 O Conhecimento da Lei 42 Um Nobre Ideal Nacional
    13 O Homem e seu Ambiente
    28 As Escolas Antagônicas  
    14 Os Três Destinos 29 A Visão Mais Moderna  
    15 O Par de Triplicidades
    30 O Auto-Exame  

     

    Karma

    Extraído de A Luz da Ásia, de Sir Edwin Arnold

    Ele não conhece nem ira nem perdão; completa verdade

    É o que mede sua vara, é o que pesa sua balança infalível;

    O tempo não conta; julgará amanhã,

    Ou depois de muitos dias.

    Assim o punhal do assassino golpeará ele mesmo;

    O juiz injusto perderá seu próprio defensor;

    A língua enganosa vitupera sua própria mentira; o ladrão sorrateiro

    E o solerte larápio roubam, só para devolver.

    Esta é a Lei que conduz à justiça,

    A qual ninguém pode fugir ou arrostar;

    Seu coração é Amor, o seu fim

    É doce Paz e Consumação.

    Obedecei!


     

    Entre os muitos dons iluminadores concedidos ao mundo Ocidental, transmitidos a ele através da Sociedade Teosófica, o do conhecimento do karma, quem sabe, só é menos importante do que o conhecimento sobre a reencarnação. Ele remove o pensamento e o desejo humanos do reino dos eventos arbitrários para o reino da lei, e deste modo coloca o futuro do homem sob seu próprio controle, na proporção de seu conhecimento.

    A principal concepção do karma: "Assim como o homem semear, colherá", é fácil de entender. Mas a sua aplicação em detalhe na vida diária, o método de sua operação e o largo alcance de suas conseqüências " estas são as dificuldades que se tornam mais desafiadoras para o estudante à medida que aumenta seu conhecimento. Os princípios em que se baseiam todas as ciências naturais são, na maior parte, rapidamente inteligíveis às pessoas de alguma inteligência e educação usual; mas quando o estudante passa dos princípios à prática, da generalidade aos detalhes, ele descobre que dificuldades o pressionam, e se ele há de dominar completamente este assunto ele vai sentir-se compelido a um aprofundamento, e a devotar longos períodos tentando desenredar os nós que se lhe apresentam. É assim também com esta ciência do karma; o estudante não pode permanecer para sempre no terreno das generalidades; ele deve estudar as subdivisões da lei primária, deve tentar aplicá-la em todas as circunstâncias da vida, deve aprender até onde ela obriga e como a liberdade se torna possível. Ele deve aprender a ver no karma uma lei universal da natureza, e aprender também, em face à natureza como um todo, que só se pode conquistá-la e governá-la obedecendo-a. "A Natureza é conquistada pela obediência".

    Princípios Fundamentais

    A fim de entender o karma, o estudante deve começar com uma visão clara de certos princípios fundamentais, de cuja ausência muitos se sentirão constantemente confundidos, fazendo perguntas sem fim que não podem ter resposta satisfatória sem o solo firme daqueles fundamentos. Portanto, neste estudo, começo com eles, embora muitos de meus leitores já estejam familiarizados com eles através de declarações anteriores, minhas e de outros.

    O conceito fundamental, sobre o qual repousa todo o correto pensamento ulterior sobre o karma, é que ele é uma lei - uma lei eterna, imutável, invariável, inviolável, uma lei que jamais pode ser quebrada, existindo na natureza das coisas, e um Teosofista bem informado diria: "Não se deve interferir com seu karma". Mas sempre que uma lei natural está em ação, podemos interferir nela até onde pudermos. Não ouvimos uma pessoa dizer solenemente: "Não se deve interferir na lei da gravidade". Entende-se que a gravitação é uma das condições com que temos de lidar, e que temos perfeita liberdade de anular qualquer inconveniência que ela possa causar contrapondo-lhe uma outra força, construindo um contraforte para suportar aquilo que de outra forma cairia ao chão sob a lei da gravidade, ou de outro modo.

    Quando alguma condição na natureza nos incomoda, usamos nossa inteligência para contorná-la, e ninguém sequer sonha em nos dizer que "não devemos interferir nela" ou mudar qualquer condição que não nos agrade. Podemos interferir somente quando temos conhecimento, pois não podemos extinguir qualquer força natural, nem evitar que atue. Mas podemos neutralizá-la, podemos desviar sua ação, se temos sob nosso comando uma outra força suficiente, e ao passo que eu jamais desconsideraria para nós um só fragmento de sua atividade, ela pode ser sustida, contrafeita, contornada, exatamente de acordo com nosso conhecimento de sua natureza e atuação, e das forças à nossa disposição. O karma não é mais "sagrado" do que qualquer outra lei natural; todas as leis da natureza são expressões da natureza divina, e vivemos e nos movemos nelas; mas elas não são imperativas; são forças que estabelecem condições em que vivemos, e que atuam dentro e fora de nós; podemos manipulá-las; nós as entendemos, e à medida que nossa inteligência se desenvolve nos tornamos mais e mais seus senhores, até que o homem se torna um super-homem, e a natureza material se torna sua serva.

    Leis: Naturais e Humanas

    Tem surgido muita confusão neste assunto, porque, no Ocidente, as leis "naturais" têm sido consideradas separadas das leis mentais e morais, ao passo que as leis mentais e morais são tanto parte da lei natural como as leis da eletricidade, e todas as leis são partes da ordem da natureza. A lei natural tem sido, em muitas mentes, confundida com a lei humana, e a arbitrariedade da legislação humana tem sido transferida ao universo da lei natural. As leis que afetam os fenômenos físicos têm sido resgatadas desta arbitrariedade pela ciência, mas os mundos mental e moral ainda estão no caos da ausência de lei. Não um mandamento divino, mas a imanência da natureza divina, é o que condiciona nossa existência, e onde os profetas deixaram leis morais, elas foram declarações sobre as conseqüências inevitáveis no mundo moral, conhecidas pelo profeta, mas desconhecidas pelos seus ouvintes ignorantes; por causa de sua ignorância, seus ouvintes têm considerado suas declarações como mandamentos arbitrários de um legislador divino, enviadas através dele, em vez de meras declarações de fatos concernentes à sucessão dos fenômenos morais em uma região tão ordenada como a física.

    A lei, no sentido secundário social, é uma determinação estabelecida por uma autoridade considerada legítima. Ela pode ser o edito de um autocrata, ou o ato de uma assembléia legislativa; em ambos os casos a força da lei depende do reconhecimento da autoridade que a cria. Entre os Hindus encontramos ambas as idéias, de lei humana e lei natural. O Rei, na concepção do Manu, é um autocrata, e o súdito deve obedecer; mas acima do Rei existe uma Lei à qual ele por sua vez deve ser obediente, uma Lei que age automaticamente e existe na própria natureza das coisas. A despeito de sua autocracia, ele é sujeito à Lei suprema, que pode destruí-lo se for desconsiderada. Diz-se que a opressão dos fracos é o inimigo mais fatal dos Reis; as lágrimas dos fracos corroem os alicerces dos tronos, e o sofrimento da nação destrói o governante. Os mundos físico e suprafísico se interpenetram, e causas desencadeadas em um deles provocam efeitos no outro. Na antiga Índia o Rei e seu Concílio faziam as leis do Estado, mas elas eram leis artificiais, e não naturais; elas obrigavam os súditos, e eram reforçadas pelas penalidades, mas tais leis diferem completamente da lei natural. Parece uma pena que uma só palavra deva ser usada para duas coisas tão diferentes como a lei natural e a artificial, pois elas são claramente distinguíveis pelas suas características.

    As leis artificiais são mutáveis; aqueles que as criam podem mudá-las ou aboli-las. As leis naturais são imutáveis; não podem ser alteradas nem abolidas, mas jazem na natureza das coisas. As leis artificiais são locais, enquanto que as naturais são universais. Em muitos países a lei contra o roubo pode ser reforçada por qualquer penalidade escolhida pelo legislador; algumas vezes corta-se a mão fora, às vezes o ladrão é mandado para a prisão, outras vezes ele é enforcado. Além disso, a aplicação da penalidade depende da descoberta do crime. Uma penalidade que é variável e artificial, e da qual se pode escapar, obviamente não é relacionada causalmente aos crimes que pune. Uma lei natural não tem penalidades, mas uma condição segue-se invariavelmente a outra; se um homem rouba, sua natureza se torna mais larápia, cresce a tendência à desonestidade, e a dificuldade de ser honesto aumenta; esta conseqüência atua em todos os casos, em todos os países; e o conhecimento ou ignorância dos outros a respeito do roubo não faz diferença para as conseqüências. Uma penalidade que é local, variável e evitável significa que a lei é artificial, e não natural. Uma lei natural é uma seqüência de condições, estando presente uma condição, a outra condição inevitavelmente se seguirá. Se queremos produzir a segunda condição, devemos criar a condição primeira, e então a segunda condição sucederá como uma conseqüência invariável. Quando deixadas por si mesmas estas seqüências nunca variam, mas se introduzimos uma nova condição a condição sucedente será alterada. Assim a água desce por um canal inclinado de acordo com a lei da gravidade, e se colocarmos a água no topo, ela invariavelmente descerá pela inclinação; mas podemos obstruir o fluxo colocando um obstáculo no caminho, e então a resistência que o obstáculo contrapõe à força da gravidade a contrabalançará, mas a força da gravidade continua ativa e é detectada na pressão sobre o obstáculo. A primeira condição é chamada de causa, a condição resultante é chamada de efeito, e a mesma causa sempre produz o mesmo efeito; no último caso, o efeito é resultante de ambas.

    A Lei das Leis

    O karma é uma lei natural no sentido pleno do termo; é uma Causação Universal, a Lei de Causa e Efeito. Pode-se dizer que ela subjaz a todas as leis particulares, a todas as causas e efeitos. É uma lei natural em todos os seus aspectos e em todas as suas subdivisões; não é uma lei específica, mas uma condição universal, a lei única da qual dependem todas as outras leis, da qual todas as outras leis são expressões parciais. O Bhagavad-Gita diz que ninguém encarnado pode escapar dela - anjos, seres humanos, animais, vegetais, minerais, todos evoluem dentro desta lei universal; o próprio LOGOS, encarnado em um universo, atua em uma medida mais larga desta lei que é a de toda manifestação. Até onde qualquer ser esteja ligado à matéria, encarnado na matéria, estará dentro da lei kármica. Um ser pode escapar ou transcender um ou outro de seus aspectos, mas não pode, enquanto permanecer em manifestação, cair fora desta lei.

    O Eterno Agora

    Este Lei universal de Causação liga em uma unidade tudo o que acontece dentro da manifestação, pois é uma inter-relação universal. Uma inter-relação entre tudo o que existe - isto é o karma. Portanto ele é coexistente e simultâneo com a vinda à existência de qualquer universo específico. Portanto o karma é tão eterno como o Eu Universal. A inter-relação entre tudo existe sempre. Jamais começa; jamais cessa de existir. "O irreal não tem existência; o real jamais cessa de existir". Nada existe isolado, sozinho, sem relação, e o karma é a inter-relação de tudo o que existe. Ele é manifesto durante toda a manifestação de um universo, no que diz respeito àquele universo; em sua dissolução, o karma se torna latente.

    No TODO tudo sempre É; tudo o que existiu, tudo o que agora é manifesto, tudo o que será, tudo o que pode ser, todas as possibilidades bem como todas as realidades, tudo existe no TODO. Aquilo que é externo, a existência exteriorizante, o desenvolvido, é o universo manifesto. Aquilo que sempre É, embora interno, germinal, é o universo não-manifesto. Mas o Interno, o Não-Manifesto, é tão real quanto o Externo, o Manifesto. A inter-relação entre os seres, dentro ou fora da manifestação, é o karma eterno. Como o Ser jamais cessa, igualmente o karma jamais se extingue, mas existe sempre. Quando parte daquilo que no TODO é coexistente se manifesta como um universo, a inter-relação eterna se torna seqüencial, e é vista como causa e efeito. No Ser único, o TODO, tudo é ligado a tudo, tudo se relaciona a tudo, e no universo fenomênico, manifesto, estes elos e estas relações são expressos em eventos sucessivos, conectados causalmente na ordem de sua seqüência temporal, isto é, em sua aparência [appearance, no original, que traz dois significados: o aparecimento ao longo da linha temporal sucessiva, ou a aparência, no sentido de que em relação ao TODO, no eterno agora, o tempo, com seus eventos sucessivos, é ilusório - NT].

    Alguns estudantes fogem de uma concepção metafísica como esta, mas a menos que esta idéia do Ser eterno - onde todos os seres existem sempre - seja entendida, o centro não poderá ser alcançado. Enquanto pensarmos a partir da circunferência, sempre haverá uma questão a mais por trás de cada resposta, começos e fins terminando sempre em um "Por quê"" por trás de cada começo. Para o estudante escapar disto, ele deve pacientemente procurar o centro, e deixar o conceito do TODO mergulhar em sua mente, até que se torne uma parte sempre presente de seu equipamento mental, e então os universos na circunferência se tornam inteligíveis, e a inter-relação universal entre todas as coisas, vistas da simultaneidade do centro, naturalmente se tornam causa e efeito nas sucessões da circunferência. É dito que o Eterno (o nome Hindu é Brahman, ou mais estritamente Nirguna Brahman, o Brahman sem atributos) é um oceano, que produz universos como suas ondas. O oceano simboliza o ser sem forma, sempre o mesmo. A onda, sendo uma parte, tem forma e atributos. As ondas sobem e descem, quebram-se em espuma, e os borrifos das ondas são os mundos em um universo.

    Ou podemos pensar em uma gigantesca catarata, como o Niágara, onde a massa da torrente é uma só antes de se precipitar, e então se divide em inumeráveis gotículas, que refletem separadamente a luz, e as gotas são como os mundos, e o arco-íris que produzem é a vida multicor. Mas a água é uma só, ao passo que as gotas são muitas, e a vida é uma só embora sejam muitos os seres. O Deus manifesto ou não-manifesto é um só e o mesmo, embora diferentes, embora apresentando atributos na manifestação, e atributos na não-manifestação; O LOGOS e Seu universo são unos, embora Ele seja a unidade, e o universo, a diversidade, Ele seja a vida, e o universo, as formas. Quando fora da manifestação o karma fica latente, pois os seres do manifesto são apenas conceitos no não-manifesto; na manifestação o karma se ativa, pois todas as partes de um mundo, de um sistema, de um universo, são inter-relacionadas. A ciência declara que nenhum movimento de uma parte pode ter lugar sem afetar o todo, e cientificamente todos concordam. As inter-relações são universais, e nenhuma pode ser rompida, pois a ruptura de uma romperia a unidade do todo. A inviolabilidade da lei natural reside em sua universalidade, e uma quebra na lei em qualquer parte significaria o caos universal.

    A Sucessão

    Vimos que como a manifestação de um universo implica sucessão de fenômenos, também a inter-relação universal se torna a seqüência de causa e efeito. Mas cada efeito por sua vez se torna uma causa, e assim infinitamente, sendo a diferença entre causa e efeito não de natureza, mas de relação. As inter-relações que existem no pensamento do Eterno se tornam as inter-relações entre os fenômenos no universo manifesto - naquela porção do pensamento expressa como universo. Antes da manifestação de qualquer universo particular haverá, no Eterno, o pensamento do universo que há de existir, e suas inter-relações. Aquilo que existe simultaneamente fora do espaço e do tempo no Eterno Agora gradualmente aparece no tempo e no espaço como fenômenos sucessivos. No momento em que concebemos um universo feito de fenômenos, somos obrigados a pensar nestes fenômenos sucessivamente, um após outro; mas no pensamento do Eterno eles existem sempre, e a limitação da sucessão ali não existe.

    Mesmo nos mundos inferiores, onde as medidas de tempo são tão diferentes entre si, captamos um vislumbre das crescentes limitações da matéria densa. Mozart nos fala de um estado de consciência em que ele recebia uma composição musical como uma única impressão, embora em sua consciência comum ele só pudesse reproduzir aquela impressão única através de uma sucessão de notas. Ou também podemos olhar para uma pintura e receber uma única impressão mental - uma paisagem, uma batalha; mas uma formiga, caminhando sobre a pintura, não veria nenhum todo, mas apenas impressões sucessivas das partes pelas quais passava.

    Pelo símile, pela analogia, obtemos alguma idéia da diferença de um universo como ele aparece para o LOGOS e como ele aparece para nós. Para Ele é uma impressão única, um todo perfeito. Para nós, uma seqüência imensa, em lento desdobrar. Assim o que para Ele é inter-relação se torna para nós sucessão. Em vez de ver infância, juventude e velhice como um todo, nós as vemos sucessivamente, dia a dia, ano a ano. O que é simultâneo e universal se torna sucessivo e particular para nossas mentes diminutas, andando por este mundo como a formiga sobre a pintura.

    Subamos numa montanha e olhemos para uma cidade abaixo, e poderemos ver como as casas se relacionam entre si em quarteirões, ruas, e assim por diante. Nós as percebemos como um todo. Mas quando descemos para a cidade devemos andar de rua em rua, vendo cada uma separadamente, sucessivamente. Igualmente quanto ao karma, vemos as relações apenas uma a uma, e uma após outra, nem mesmo percebendo as relações sucessivas, tão limitada é nossa visão.

    Tais exemplos podem freqüentemente nos ajudar a compreender as coisas invisíveis, e podem funcionar como muletas para nossa imaginação vacilante. E a partir de tudo isto podemos lançar nossa pedra angular para nosso estudo sobre o karma.

    O karma é a inter-relação universal, e é visto em qualquer universo como a Lei da Causação, em conseqüência da aparição sucessiva dos fenômenos no devir, ou desdobrar, do universo.

    A Causação

    A idéia da causação tem sido questionada nos tempos modernos. Huxley, por exemplo, no Contemporary Review, argumenta que conhecemos apenas a seqüência, e não a causação; ele diz que se uma bola se move depois de ser golpeada por um bastão, não devíamos dizer que o golpe do bastão causou o movimento, mas apenas que foi seguido pelo movimento. Este ceticismo extremo aparece fortemente em alguns grandes homens do século XIX, uma reação contra a pronta credulidade e as muitas asserções não-provadas da Idade Média. A reação teve sua serventia, mas agora gradualmente está desaparecendo, como sempre ocorre com os extremos.

    A idéia da causação surge naturalmente na mente humana, embora não seja comprovável pelos sentidos; quando um fenômeno tem sido invariavelmente seguido por outro fenômeno durante longos períodos de tempo, os dois acabam sendo ligados em nossas mentes, e quando um aparece, a mente, através da associação de idéias, espera o segundo; assim o fato de que a noite tem sido seguida pelo dia desde tempos imemoriais nos dá uma firme convicção de que o sol se elevará amanhã, como em incontáveis dias passados. A sucessão sozinha, contudo, não implica necessariamente causação; não consideramos o dia como a causa da noite, nem a noite como a causa do dia, apenas porque se seguem um ao outro. Para determinarmos uma causação precisamos mais do que uma sucessão invariável; precisamos que a razão veja aquilo que os sentidos são incapazes de discernir - uma relação entre as duas coisas que produz o surgimento da segunda quando a primeira aparece. A sucessão do dia e noite não é causada por nenhum deles; ambos são causados pela relação entre a Terra e o Sol; esta relação é uma causa verdadeira, reconhecida como tal pela razão, e enquanto a relação permanecer sem mudança, o dia e a noite serão seu efeito. A fim de vermos uma coisa como causa de outra, a razão deve estabelecer uma relação entre elas que seja suficiente para a produção de uma pela outra; então, e só então, podemos estabelecer corretamente uma causação. Chamamos de causação os elos que jamais se rompem entre os fenômenos, e que são reconhecidos pela razão como uma relação ativa, trazendo à manifestação um segundo fenômeno sempre que um primeiro se manifesta. Eles são as sombras das inter-relações que existem no Eterno, fora do espaço e do tempo, e se estendem sobre a vida de um universo, sempre que existirem as condições para sua manifestação. A causação é uma expressão da natureza do LOGOS, uma Emanação da Realidade Eterna; sempre que existir uma inter-relação no Eterno que demande sucessão para sua manifestação no tempo, ali há causação.

    As Leis da Natureza

    Nosso próximo passo em nosso estudo é uma consideração das "Leis da Natureza". Todo o universo está incluso nas idéias de sucessão e causação, mas quando chegamos ao que chamamos de leis da natureza somos incapazes de ver sobre que área elas se estendem. Os próprios cientistas se sentem compelidos a falar com cuidado cada vez maior à medida que viajam para além do limite da observação factual. As causas e efeitos que são contínuos dentro da área de nossa observação podem não existir em outras regiões, ou atuações que são observadas aqui como invariáveis podem ser interrompidas pela erupção de alguma causa fora do que é "conhecido" em nosso tempo, embora provavelmente não fora do conhecível. Entre 1850 e 1890 surgiram muitas declarações positivas sobre a conservação da energia e a indestrutibilidade da matéria. Foi dito que existe no universo uma determinada quantidade de energia, incapaz de diminuição ou aumento; que todas as forças são formas desta energia, que a quantidade de qualquer força específica, como o calor, pode variar, mas não o total da energia. Assim como 20 pode ser feito de 20 unidades, ou de 2 vezes 10, ou de 5 vazes 4, ou de 12 + 8, e assim por diante, permanecendo 20 no total, o mesmo ocorre com as formas variáveis e a quantidade total. A respeito da matéria também foram feitas declarações semelhantes; que ela é indestrutível, e portanto permanece sempre a mesma em quantidade; alguns, como Ludwig Buchner, declararam que os elementos químicos eram indestrutíveis, que "um átomo de carbono sempre foi um átomo de carbono", e assim por diante.

    A ciência foi construída sobre estas duas idéias, e elas formaram a base do materialismo. Mas agora se percebe que os elementos químicos são dissolúveis, e que o próprio átomo pode ser um redemoinho no éter, ou talvez um mero buraco onde o éter não existe. Pode haver átomos através dos quais a força penetre, e outros através dos quais ele se esvaia - de onde" - para onde" A matéria não pode se tornar intangível, dissolver-se no éter" Não pode dar origem a nova matéria" Tudo é dúvida onde uma vez reinava a certeza. Também um universo tem seu "Anel-Não-Passarás" [expressão Teosófica para o limite derradeiro de um universo - NT]. Dentro de uma dada área só podemos falar com certeza de uma "lei da natureza".

    O que é uma lei da natureza" J.N.Farquhar, no Contemporary Review de julho de 1910, em um artigo sobre o Hinduísmo, declara que se os hindus querem proceder a reformas devem abandonar a idéia do karma. Ele poderia também dizer que se um homem quiser voar ele deve abandonar a idéia de uma atmosfera. Entender a lei do karma não é renunciar à atividade, mas conhecer as condições sob as quais a atividade é melhor desenvolvida. Farquhar, que evidentemente estudou com atenção o Hinduísmo moderno, não captou a idéia do karma como ensinada pela escritura antiga e pela ciência moderna.

    Uma lei da natureza não é um mandamento, mas um estabelecimento de condições. Nunca é demais repetir isso, nem reforçá-lo. A natureza não ordena isto ou aquilo; ela diz: "Eis certas condições; onde elas existirem, tais e tais resultados invariavelmente se seguirão". Uma lei da natureza é uma seqüência invariável. Se não nos agrada o resultado, mudemos as condições prévias. Ignorantes, ficamos desvalidos, à mercê das forças violentas da natureza; sábios, somos os mestres, e aquelas forças nos servem obedientes. Cada força da natureza é uma força capacitante, e não compulsória, mas é preciso conhecimento para utilizarmos seus poderes.

    A água ferve quando chega aos 100ºC sob pressão normal. Esta é a condição. Se subimos em uma montanha a pressão diminui, e a água ferve a 95ºC. Mas uma água a 95ºC não faz um bom chá. A Natureza proíbe então que tenhamos um bom chá no topo da montanha" De modo algum: sob pressão normal a água ferve a uma temperatura necessária para fazermos um chá; se perdermos pressão, supramos o déficit, bloqueemos o escape do vapor até que ele atinja a pressão devida, e poderemos fazer nosso chá com água a 100ºC. Se queremos produzir água pela união de oxigênio e hidrogênio, é preciso de uma certa temperatura, e podemos obtê-la com uma faísca elétrica. Se insistirmos em manter a temperatura no zero, ou em substituir o hidrogênio por nitrogênio, não podemos ter água. A natureza estabelece as condições que resultam na produção de água, e não podemos mudá-las; ela não produz nem impede a produção de água; somos livres para tê-la ou não; se a queremos, devemos reunir as coisas necessárias e assim criarmos as condições. Sem elas, nada de água. Com elas, água inevitavelmente. Estamos assim obrigados ou livres" Livres para criarmos as condições; obrigados quanto aos resultados, uma vez tendo produzido as condições. Sabendo isso, o homem de ciência, enfrentando uma dificuldade, não se entrega; ele arranja as condições com que pode produzir um resultado, aprende como criar as condições, seguro de que pode esperar o resultado.

    Uma Lição da Lei

    Esta é a grande lição ensinada pela ciência à geração atual. A religião a tem ensinado através das eras, mas dogmaticamente, antes do que racionalmente. A ciência prova que o conhecimento é a condição da liberdade, e somente quando o homem sabe é que pode governar-se. O cientista observa as seqüências; ele realiza inúmeras vezes seus experimentos; ele elimina tudo o que for casual, colateral, irrelevante, e lenta e seguramente descobre o que constitui uma seqüência causativa invariável. Uma vez seguro dos fatos, ele age com certeza indubitável, e a natureza, sem mudar sua atuação, recompensa sua certeza racional com o sucesso.

    Desta segurança cresce "a sublime paciência do investigador". Luther Burbank, na Califórnia, semeia milhões de sementes, seleciona alguns milhares de plantas, cruza poucas centenas, e pacientemente se encaminha para seus objetivos: ele pode confiar nas leis da natureza, e se falhar, reconhece que o erro está nele, e não nelas.

    Há uma lei da natureza de que massas de matéria tendem a se mover em direção à Terra. Então eu deveria dizer: "Não posso andar nas estrelas, não posso voar pelo ar". Não, há outras leis. Contra a força que me prende ao chão eu contraponho outra força que está em meus músculos, e ergo meu corpo através delas. Uma pessoa com músculos fracos pela febre pode ter de ficar no chão, inválida; mas eu não quebro lei nenhuma quando aplico minha força muscular e subo as escadas.

    A inviolabilidade da Lei não tolhe - ela liberta. Torna a Ciência possível, e racionaliza o esforço humano. Em um universo sem lei o esforço seria fútil, e a razão, inútil. Seríamos selvagens, tremendo nas garras de forças estranhas, incalculáveis, terríveis. Imagine um cientista em um laboratório onde o nitrogênio fosse ora inerte, ora explosivo, onde o oxigênio vivificasse hoje e sufocasse amanhã! Em um universo sem lei não ousaríamos nos mover, não sabendo o que qualquer ação nossa produziria. Nos movemos sabiamente, seguramente, por causa da inviolabilidade da Lei.

    O Karma não Oprime

    Assim o Karma é a grande lei da natureza, com tudo o que isto implica. Assim como somos capazes de nos movermos no universo físico com segurança, conhecendo suas leis, também podemos nos mover com segurança nos universos mental e moral quando aprendemos suas leis. A maioria das pessoas, a respeito de seus defeitos mentais e morais, estão muito como na posição do homem que recusa subir as escadas por causa da lei da gravidade. Ele senta-se desanimado, e diz: "Esta é minha natureza, não posso fazer nada". É verdade, é a natureza do homem, já que ele a construiu no passado, e é "seu karma". Mas com um conhecimento sobre o karma ele pode mudar sua natureza, tornando-a amanhã diferente do que é hoje. Ele não está nas garras de um destino inevitável, imposto de fora sobre si; ele está num mundo de lei, cheio de forças naturais que ele pode utilizar para produzir o estado de coisas que ele deseja. O conhecimento e a vontade - isto é o que ele precisa. Ele deve perceber que o karma não é um poder que oprime, mas um estabelecimento de condições das quais derivam resultados invariáveis. Enquanto ele viver negligente, em um caminho fortuito, enquanto ele for como um homem flutuando na corrente, atingido por qualquer entulho que passa, soprado por qualquer brisa casual, sugado por qualquer redemoinho casual, isto promete fracasso, azares e infelicidade. A lei lhe possibilita atingir seus fins com sucesso, e coloca a seu alcance forças que ele pode usar. Ele pode modificar, alterar e reconstruir ao longo de outras linhas a natureza que é o resultado inevitável dos seus desejos, pensamentos e ações anteriores; esta natureza futura é tão inevitável como a presente: o resultado das condições que ele cria agora deliberadamente; "O hábito é uma segunda natureza", diz o provérbio, e o pensamento cria hábitos. Onde existe Lei nenhuma conquista é impossível, e o karma é a garantia da evolução do homem até a perfeição mental e moral.


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