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  • O REINO DAS FADAS

    Geoffrey Hodson

    ***

    Primeira Edição em 1927

    The Theosophical Publishing House (Londres)

    ***

    PREFÁCIO
    CAPÍTULO  
    I Devas O Deva de um Vale em Cotswold
    Uma Cerimônia Dévica
    II Silfos Espíritos da natureza do Vento e das Flores nos Campos de Sussex e Kent
    III Gnomo e Deva Um Deva da Natureza estimulando a Evolução de um Gnomo
    IV Fadas Fadas dos Trevos e a Formação de Flores Astrais
    Fadas Suíças e seu Trabalho nas Flores Selvagens
    A Fada Discípulo e o Deva Instrutor
    V O Trabalho dos Espíritos da Natureza   Sobre as Funções do Espírito da Árvore
    VI   Brownies e Mannikins   Brownies na Suíça
    Brownies em uma Floresta de Faias, e Mannikins em uma Floresta de Larícios em Cotswolds
    Brownies em uma floresta de abetos em Ommen
    VII      O Reino de Pã      Faunos na Suíça
    Nota de um Deva sobre o Reino de Pã
    Faunos, Sátiros e Centauros em Cotswolds
    Um Fauno Amigável
    Consciência Arbórea
    Pã e o Espírito da Terra como vistos por um Deva
    VIII         Exemplos de Cooperação entre Devas e Homens         Nossa Senhora e a Maternidade Humana
    Natal em Huizen
    A Drª Besant no Queen"s Hall
    "Ouve os Anjos Anunciadores Cantar!"
    Dia do Armistício " 1923
    No Cenotáfio
    O Albert Hall e o World Requiem
    Um Amigo Angélico num Concerto
    Purificando a Atmosfera de uma Cidade

     

     PREFÁCIO

    A recepção dada ao livro Fairies at Work and at Play (Fadas Trabalhando e Brincando) me encorajou a publicar algumas notas de meus estudos clarividentes adicionais sobre o reino das Fadas. Espero que este segundo livro possa, mais que o primeiro, ajudar o leitor a entender melhor o reino dos devas, tendo sido escrito sobre um assunto e com um método de pesquisa que me eram inteiramente novos. Meu objetivo ao fazer estes estudos adicionais foi antes o de contatar a consciência do anjo e da fada do que descrever e catalogar suas formas.

    Àqueles a quem a idéia da clarividência como um meio de pesquisa é nova, eu diria que a Teosofia ensina (vide Clairvoyance - Clarividência, de C.W.Leadbeater; Man, Visible and Invisible " O Homem, Visível e Invisível, de A.Besant e C.W.Leadbeater; Introduction to Yoga - Introdução ao Yoga, de A.Besant) que este sexto sentido está latente em todos os homens, e um dia será usado como um meio natural de cognição; ainda, que é possível, pelo autotreinamento, despertá-lo de sua latência para a expressão ativa, e usá-lo como meio de investigação.

    Os métodos de treinamento ensinados pela Teosofia não têm nada em comum com os da mediunidade e do transe; eles almejam o uso consciente desta faculdade, depois de desenvolvida por meios da expansão da consciência obtida pela meditação, e pela sensibilização dos veículos de consciência a fim de que possam expressar os resultados de tal expansão.

    Meus estudos me levaram a considerar os devas como potenciais colaboradores do homem no cumprimento do plano de Deus, e prevejo um tempo quando cada instituição, religiosa ou secular, e cada casa, possam ser centros onde prevaleça a cooperação entre estes dois reinos, cujo resultado será uma expansão do ideal de fraternidade para incluir os devas e os espíritos da natureza em uma Fraternidade verdadeiramente universal de anjos e homens.

    Geoffrey Hodson



    LOJA TEOSÓFICA VIRTUAL
    O REINO DE DEUS
    Em Nenhuma Terra Estranha
    "Oh mundo invisível, nós te vislumbramos,
    Oh mundo intangível, nós te tocamos,
    Oh mundo incognoscível, nós te conhecemos,
    Inapreensível, nós te agarramos!
    Deve o peixe nadar para encontrar o oceano,
    A águia se alçar para encontrar o ar "
    Para que perguntemos às estrelas em movimento
    Se elas ouviram algum rumor de Ti por lá"
    Não lá onde os sistemas rodopiantes se escurecem,
    E pairam nossas concepções nubladas!
    O agito das asas, sendo ouvido,
    Bate às nossas portas seladas.
    Os anjos guardam seus antigos lugares; -
    Vira uma pedra apenas, e salta uma asa!
    E tua face se espanta
    Perdendo a coisa esplendorosa.
    Mas (quando tão triste, não se poderia entristecer mais)
    Grita; - e sobre tua desolação tão profunda
    Brilhará o movimento da escada de Jacó
    Unindo o Céu e Charing Cross.
    Sim, na noite, minha alma, minha filha,
    Grita, - subindo ao Céu pelas beiradas;
    E eis Cristo caminhando sobre as águas
    Não do Genesaré, mas do Tâmisa!"
    Francis Thompson


    LOJA TEOSÓFICA VIRTUAL

    CAPÍTULO I

    Devas

    Genius Loci

    "Duas vezes chegou, aquela Presença! " uma vez na gruta
    Perto do campo de macieiras na colina além "
    E agora de novo, junto do regato
    Ao entardecer. Ai, se os pulos do coração pudessem provar,
    Duas vezes nestes prados, que eu senti um Espírito se mover
    Que não era da Terra! Veio silencioso,
    Um êxtase vivo sem nome,
    E pareceu-me transformar todo o ar em Amor.
    E então, oh de onde" Densas florestas já conheci
    Que eram igualmente ricas, mas não tinham este raro encanto,
    Prados tão floridos que mais não se pode conceber, e montes também tão verdes.
    É algum Deus, algum Gênio do lugar
    Que freqüenta, imagino, este ponto, e o ama,
    E exala seu amor sob forma daquela graça difusa."

    E.A.Wodehouse

     

     

    O Deva de um vale em Cotswold

    4 de agosto de 1925

    Este vale, que tem cerca de 3,5 quilômetros de comprimento e 1,6 quilômetros de largura, está a cargo de um deva da natureza (a palavra deva significa ser brilhante, e é o nome indiano para anjo; deva e anjo são usados em todo este livro para designar a mesma ordem de seres) que parece ter vindo para cá a fim de adiantar a evolução da vida do vale. Embora seja ele mesmo um espírito da natureza e, portanto, estaria interessado primeiramente na evolução dos reinos elemental e vegetal, ele também tem um grande interesse nos habitantes humanos do vale, e quando pode trabalha também por eles.

    No entardecer do dia seguinte à nossa chegada, subimos as colinas que se erguem no fim do vale até um ponto de onde podíamos abranger com o olhar os campos, casas e florestas de que é composto. Enquanto estávamos sentados contemplando a pacífica e formosa cena, o deva mostrou-se; pairando no ar sobre o topo das árvores diante de nós, deu-nos as boas-vindas ao vale.

    Quando visto pela primeira vez, ele parecia ter mais de três metros de altura, e sua aura se irradiava de seu corpo até uma distância de cerca de 90 metros em toda sua volta. Depois de nossa conversa, contudo, ele a estendeu ou espichou até que atingisse toda a largura do vale, incluindo o pequeno regato que corria através dele; então ele se moveu lentamente vale abaixo, tocando cada coisa viva em seu interior, dando a cada uma um pouco de sua força magnificentemente vital. Sua face é nobre e bela, seus olhos são deslumbrantemente brilhantes, e se parecem mais como dois centros de força do que olhos, pois não são usados do mesmo modo que os nossos, para a expressão de pensamentos e emoções. Expressou um benevolente cumprimento de boas-vindas, não só através do sorriso que abriu seus lábios, mas através de todo o seu ser: ele irradiou suas boas-vindas sobre nós, assim como ele dissemina seu poder purificador e estimulante sobre todo o vale. As cores de sua aura estão brilhante e constantemente mudando, à medida que fluem em ondas e vórtices para fora da forma central. O esquema de cores se altera de minuto a minuto; agora a cor predominante pode ser um profundo azul real com vermelho e amarelo dourado e verde mesclando-se através dele e nele, fazendo remoinhos e ondas de cores brilhantes à medida que fluem em corrente contínua; agora mudam completamente " há um fundo de rosa pálido, com um leve azul-do-nilo, azul celeste e o mais pálido dos amarelos. Ocasionalmente, onde os poderosos ombros das asas são delineados em fogo dourado, ele se parece como um grande pássaro com as bordas de suas asas incendiadas pelo sol poente. Há um contínuo jogo de forças, como uma miniatura de aurora boreal, subindo de sua cabeça até alto no ar, e no meio da cabeça há um resplandecente centro de luz, que é a séde da consciência dentro da forma. Enquanto o descrevo ele subitamente sobe para o céu, onde paira tão alto a ponto de ser quase invisível. Mesmo daquela altura, contudo, ele mantém o vale dentro de sua consciência.

    Seu caráter é uma combinação desusada do vívido senso dévico de liberdade de todas as limitações com a capacidade humana para a ternura, profundo interesse pelos outros, e amor. Sinto que seguramente todo o nascimento e morte dentro do vale lhe devam ser conhecidos, e que a dor, que acompanha ambos, é aliviada por ele até o máximo de seu poder; pois vejo formas-pensamento em sua aura que o mostram acolhendo em sua radiância brilhante as almas dos que recém morreram, protegendo-os, e guiando-os a um lugar de paz; vejo que ele observa as crianças brincando, e o velho camponês descansando; de fato, ele é o anjo guardião do vale, e felizes os que vivem sob seu cuidado.

    As hostes dos espíritos da natureza menores o obedecem, e vejo as criaturas da terra e das árvores e as fadas menores respondendo ao seu toque quando seu poder os toca; os elfos e brownies sentem uma exaltação súbita, cuja origem não podem compreender completamente, embora a reconheçam como sendo uma característica constante de suas vidas; as fadas sentem uma sensação aumentada de ludicidade e alegria quando ele influi nelas com sua vida radiante. Toda a Natureza parece ser estimulada por sua presença aqui. Sua influência, que dá uma certa qualidade, uma característica local, uma atmosfera especial, perceptível nitidamente em toda a extensão do vale, tem um encanto que beira o deslumbramento; isso deve igualmente afetar todos os seres humanos que vivem aqui durante algum tempo, particularmente aqueles que nascem e vivem dentro da contínua ação de sua vida áurica, e seguramente deve haver vezes em que sentem o espírito do deva sobre eles.

     

    Uma cerimônia Dévica

    Hotel Balcony, Grand Salève, Suíça

    Entardecer, 4 de julho de 1925

    O grupo do Monte Branco evidentemente é um centro oculto. Forças muito grandes são visíveis atuando dentro e em torno do maciço esta tarde. Parecem como línguas de fogo saindo do corpo da montanha, atravessando os lados e se lançando alto no ar. Sobre o pico central (o próprio Monte Branco) é visível uma contínua corrente de energia, como uma radioatividade intensificada; lampejos de luzes brilhantes se projetam através dele, enquanto os devas voam para frente e para trás no meio desta efusão de energia dinâmica.

    Há uma cerimônia oculta tendo lugar sobre e em torno do pico, e parece que ela evocou o poder e a presença das hostes angélicas. No centro há um grupo de grandes anjos, todos armados de espadas; seus movimentos são relativamente lentos, e de caráter definido e ordenado, e parecem estar realizando algumas evoluções predeterminadas. Em intervalos, correntes de energia jorram para o ar acima como gigantescos foguetes, enquanto em toda volta, à margem do grupo central, há grupos de devas montanheses, selvagens e impetuosos. Sinto que estes devem ser os seres de quem Wagner tirou inspiração musical para as Valquírias (a ópera As Valquírias foi escrita a cerca de 1,5 quilômetros deste local), pois reconheço uma estreita semelhança entre sua vibração a da ópera. Eles mergulham sobre os campos nevados e geleiras até os níveis inferiores, passando pelos lados da montanha a grande velocidade; o grito das Valquírias é facilmente reconhecível.

    Enquanto dito estas observações, aumenta a intensidade da atividade no pico, e a montanha começa a parecer um vulcão em erupção, mas sem fumaça. Vejo minha consciência sendo levada para longe no espaço, além dos confins deste planeta, e percebo que fenômenos similares aos descritos estão ocorrendo em outros pontos do sistema solar. Forças começam a refulgir de e para estes pontos, e o poder começa a descer à Terra. As "Valquírias" estão começando a se tornar mais e mais selvagens em suas atividades, como se enlouquecidas pela ígnea energia do evento; estão absorvendo-a, levando-a para lugares distantes e descarregando-a dentro da terra. Fico consciente de anéis sobre anéis, hierarquia sobre hierarquia de hostes dévicas, grupos de poderosos seres se banhando na deslumbrante luz branca.

    Agora o som é acrescentado à visão; ouço música, solene e majestosa, como a dos próprios grandes Gandharvas (nome indiano para os anjos da música); é como a música dos coros celestes, ecoando longe no espaço, cantando grandes sinfonias cósmicas.

    Até onde diz respeito à Terra, todo fenômeno parece centralizado no Monte Branco; mesmo os anéis de devas parecem se erguer, círculo após círculo, verticalmente acima do pico. Neste canal assim formado jorra para cima o poder da Terra, e para baixo também flui a resposta " parecendo como um pilar de fogo cuja base descansa sobre o maciço " banhando toda a montanha e distrito adjacente em luz gloriosa. A força desce fundo dentro da Terra, e deve seguramente estar conectada com o seu espírito residente; parece como se os espíritos dos planetas estivessem se comunicando por intermédio da hierarquia dévica.

    A força parece existir tão alto quanto o plano causal e provavelmente além, enquanto produz efeitos prodigiosos também no nível astral. As vibrações astrais resultantes são claramente perceptíveis nesta distância (isto é, quase cinqüenta quilômetros); elas vêm como ondas periódicas, que passam varrendo, e se perdem na distância. Posso vê-las, ainda se espraiando longe pelo vale do Reno abaixo. No nível mental o efeito é de alcance ainda maior, embora pareça, por contraste, ser menos poderoso e mais concentrado no centro. A corrente descendente não se parece mais como sólida, mas se assemelha a fogo líquido, branco e azul prateado.

    Agora a corrente se alargou consideravelmente, e deve incluir todo o grupo do Monte Branco. Um número incontável de devas o circundam em fileiras cerradas, e também há uma constante passagem para dentro e para fora, chegada e partida; tudo o que vive, incluindo a própria montanha, fica maravilhosamente vivificado, enquanto que muitos dos devas parecem literalmente intoxicados. Comungando com a consciência de um que passava, vejo-me eletrizado por uma sensação de energia sem limite, de poder irresistível, que eu devo desviar rapidamente através do espaço para o lugar onde estou ou alguma outra parte do planeta.

    Agora finalmente a cerimônia parece estar chegando ao seu término, o número de anjos assistentes diminui; dispersam-se, viajando agilmente em suas várias direções, cada um fulgurando com o poder que recebeu, até que enfim somente os próprios oficiantes centrais permanecem; a sensação geral de hiperatividade elétrica começa a se desvanecer, embora o próprio fulgor da luz sobre o cume não diminua.

    Se alguém pode tirar conclusões de uma única experiência deste tipo, seria a de que os devas usam o cerimonial como um meio de evocar e distribuir poder, e que eles têm uma parte importante na comunicação interplanetária.

     

    CAPÍTULO II

    Silfos

    Espíritos da Natureza do Vento e das Flores

    Coneyhurst Hill, Hurtwood, perto de Ewhurst

    17 de abril de 1926

    Estamos sentados na margem de uma floresta constituída de larícios e pinheiros muito velhos, que cobre esta colina de arenito; das rampas ao sul podemos ver um vasto panorama do belo interior, que se estende até South Downs.

    Uma atmosfera de alegria e jocosidade espontâneas pervade toda a atividade dos vários membros da evolução dévica que se encontram nestas redondezas.

    Há um forte vento sudoeste, no qual os silfos são vistos brincando; suas cabriolas consistem de corridas longas, rápidas e diretas no vento por quilômetros e quilômetros até que se perdem na distância; ou de rotações, volteios, e súbitas partidas verticais, seguidas por mergulhos de tirar o fôlego, que cessam abruptamente logo acima do topo das árvores, e de novo seguidos de subidas igualmente rápidas milhares de metros no ar. Aqui e ali, grupos se juntam em uma selvagem dança aérea, com suas auras se projetando atrás deles como se sopradas pelo vento, seus olhos selvagens de excitação; intoxicados de alegria, dançam em grandes círculos, subitamente formados e subitamente desmanchados, exultando no poder e energia vital de que seu lar aéreo está carregado nesta maravilhosa manhã de primavera.

    Sob estas condições eles perdem freqüentemente toda a semelhança com a forma humana, parecendo se tornar turbilhonantes massas de força e energia vital, nas quais subitamente aparecem graciosas formações do feitio de asas, longas curvas fluentes, uma sugestão de braços ondulantes, e de cabelo flutuando no vento; muitas vezes aparecem dois olhos coruscantes, e uma face de beleza transcendente, combinando em sua expressão um ar completamente impossível para o gênero humano, exaltação, êxtase intoxicante, e uma virilidade e poder ferozes. Agora mesmo um se detém, pairando tão perto que parece encher os céus com sua aura brilhante e dominar todo o campo de visão com sua dinâmica presença; num átimo já se vai, desaparecendo na distância remota, cobrindo léguas e léguas das "vastas savanas azuis" em um único segundo; ele parece guiado por uma energia e carregado de um poder sobre os quais ele mesmo não tem senão controle parcial, como se tivesse se embriagado tão profundamente de vitalidade aérea " do poder do vento que sopra ao longo dos descampados, fazendo os abetos cantarem com aquela longa e soluçante canção que é tão estranhamente parecida com o distante murmúrio do mar " que era incapaz de manter uma posição estacionária.

    O contato com a consciência do silfo nestas condições me sugere um estado de energia concentrada similar àquele encontrado dentro do átomo; produz a sensação de compressão, de um ponto de quase explosão, de energia incalculável, atemorizante em sua potência, embora inofensiva porque confinada a canais prescritos de fluxo. Fico quase oprimido pelo contraste entre esta vívida existência e nossa vida humana na carne, que parece tão torva e limitada dentro destas formas humanas pesadas e irresponsivas. Mesmo no nível mental, por exemplo, eu não teria chance alguma numa corrida com um silfo, pois enquanto eu estivesse ainda planejando partir, ele já teria alcançado a linha de chegada. A própria matéria de seu corpo é viva e infusa de energia e movimento; pareceria que, enquanto para nós é preciso exercitar a vontade para nos movermos, com alguém como ele, que recém encheu e inundou a atmosfera perto de nós com sua vívida presença, o oposto é verdadeiro, pois parece quase impossível permanecerem parados.

    Mas enquanto tento esta descrição, sou forçado à conclusão de que isto deve se restringir a certos membros da família dos silfos, pela esplêndida visão de um deva pairando, relativamente imóvel, a cerca de 700 metros acima do solo. Com cinco a seis metros de altura, ele é banhado de uma radiante opalescência branca, que parece atuar continuamente através e sobre ele. Estudando este fenômeno mais de perto, a força, da qual ele é uma expressão, parece brotar de dentro da forma central " humana, e como se revestida desta radiância branca " ao longo de toda a altura e continuamente fluir para fora em ondas para as bordas da aura. A cor predominante muda continuamente, como a de uma opala que é atingida pela luz do sol, embora infinitamente mais delicada; agora um azul, agora um rosa, agora um verde-maçã suave, atravessam e inundam toda a aura, enquanto que a nobre cabeça e face permanecem num rosa delicado. Os braços estão levemente estendidos para os lados; nesta atitude, com o poder emanando dele em todas as direções e alcançando distâncias variando de nove a dezoito metros desde a forma central, este grande deva "paira" no alto do céu. Ele parece uma vez ter pertencido à ordem dos silfos e ter evoluído para além da sua raça. Em volta, acima e abaixo dele, brincam seus irmãos mais novos, fazendo sua pose mais marcada pelo contraste com sua ágil mobilidade, seu rápido deslocamento através do espaço.

    Uma vez mais a ordem hierárquica é revelada, pois ele parece ser um deva avançado, de algum modo responsável pelas vidas e progresso evolucionário de seus irmãos. A despeito da intensa concentração dos níveis superiores de sua consciência, ele conscientizou-se de minha tentativa de contatá-lo, e seu reconhecimento em resposta encheu-me com tanto de seu poder quanto sou capaz de receber. O efeito é interessante de observar; meus corpos astral e mental " temporariamente iluminados " tendem a se arranjar em uma disposição algo semelhante à sua própria; sua força "desce" dos níveis causais e emerge de dentro de meus corpos astral e mental, carregando-os com poder e então fluindo para fora até as bordas; mesmo aqui embaixo no físico denso atua uma forte vibração.

    O deva é o centro de considerável atividade entre os silfos, grupos dos quais estão continuamente se aproximando dele; parece que alguma forma de comunicação tem lugar entre ele e os demais, após o que eles partem para suas várias esferas de atividade. Alguns deles são devas da natureza e estão ligados ao reino vegetal. Embora sua consciência seja ativa nos níveis mentais inferiores, sua forma é visível no astral, e a maioria daqueles que se aproximam dele o fazem neste nível. São devas de bosques e árvores, brilhantemente coloridos, muitos dos quais mostram em suas auras a forma e cor da árvore ou bosque a que estão ligados; alguns deles evidentemente são associados a árvores frutíferas ora em floração, e suas auras apresentam as cores do pomar ou da árvore em plena florada.

    Evidentemente a associação do espírito da natureza com uma árvore tem o efeito de imprimir a forma da árvore em sua aura, seja por um sistema de repercussão ou através da forte auto-identificação mental do espírito da natureza com a árvore; deste modo eles parecem carregar seu trabalho com eles até seu chefe, que assim pode observá-lo, e corrigi-lo, bem como influenciá-lo diretamente.

    O leitor pode ter alguma dificuldade em conceber um deva, cuja aura contenha a forma e cor de, digamos, uma macieira em flor. Seguindo um destes espíritos da natureza até seu trabalho, vejo que ele se "estabelece" dentro da árvore, o que lhe permite envolvê-la completamente com sua aura. Aparentemente ele fica nesta posição por consideráveis períodos de tempo, influenciando o desenvolvimento da consciência vegetal, bem como a de espíritos da natureza menores, pela contínua atuação de suas próprias forças vitais mais vívidas. Como resultado deste método de trabalho, a contínua atuação das forças vitais da árvore " ao longo das linhas fixas do tronco, galhos, ramagem, folhas e flores " se imprime na aura. O efeito é dos mais belos quando um número destes espíritos da natureza sobe juntos de um pomar, levando no ar duplicatas de suas incumbências junto com eles; enquanto pairam, ainda mantendo-se mais ou menos juntos, cada um subindo e descendo um pouco, são formadas ondas destas réplicas brancamente floridas; então, como se sob algum sinal, toda a companhia se mobiliza e sobe até dentro da aura do deva, levando consigo a atmosfera de beleza, alegria e a frescor primaveril da Natureza recém-desperta. Ele parece inspecionar e então abençoar; algumas vezes ele envolve um indivíduo ou grupo mais intimamente dentro de sua aura e os mantêm lá, liberando-os mais tarde. Eles parecem um vôo de magníficos pássaros quando voltam aos seus respectivos deveres.

    De certo modo isto o afeta, e sua aumenta de tamanho e brilho à medida que este trabalho prossegue. Correntes de luz procedem dele até o solo quando sua bênção é trazida através do ar por seus serviçais, e todo o fenômeno de seu "trabalho matutino" começa a assumir proporções além do poder de minha pobre pena descrever, e também de minha mente compreender.

    Com o risco de materializar toda a concepção, eu poderia compará-la a uma enorme empresa, cujo diretor controla e guia suas atividades através de seus muitos agentes, ele próprio permanecendo dentro da privacidade de seu escritório. Mas diferente dos negócios modernos, contudo, todo este vasto campo de trabalho é banhado por uma atmosfera de júbilo extraordinário, de completa cooperação natural e implícita aceitação do líder e obediência às suas ordens.

    Do topo desta colina vemos abaixo as planícies de Surrey e Sussex, que se estendem para oeste, sul e leste, naquilo que é chamado "o jardim da Inglaterra". A experiência que estive descrevendo me fez perceber a adequação do termo, e também deu-me uma mais larga apreciação do trabalho da hierarquia dévica no cumprimento do plano do Grande Jardineiro do Universo.

    CAPÍTULO III

    Gnomo e Deva

    Letchworth

    3 de janeiro de 1925

    Durante os últimos seis meses estive consciente de que um membro da família dos gnomos, que havia conseguido obter uma medida de autoconsciência maior do que alguns de seus irmãos, tem desenvolvido um crescente interesse em nós. No verão ele geralmente aparecia assim que saíamos da casa e entrávamos no jardim, correndo do pomar através do gramado, e atraindo minha atenção com lampejos etéricos. Demos pouca atenção a ele na época, mas desde que chegou o inverno ele passou a entrar na casa. Durante nossos serões em torno do fogo, ele é freqüentemente visto brincando pela sala, passando para dentro e para fora das janelas, e mostrando tanto interesse em nós como o faria, digamos, uma ave doméstica ou um esquilo.

    Ele tem exatamente cinqüenta centímetros de altura. Fui capaz de medi-lo porque sua cabeça atinge a ponta de certo ornamento nas pernas do piano. Sua pele é muito escura, e seu corpo de uma textura esponjosa, antes como o solo que foi congelado e degelou. No jardim ele costumava correr sem nenhuma roupa, embora ocasionalmente colorisse seu corpo com um verde escuro. Esta noite, contudo, noto que ele fez uma nítida tentativa de elaborar um traje, mas, curiosamente, o efeito não é produzido pelo acréscimo de vestes materializadas, mas por uma mudança na própria superfície de seu corpo, exceto no caso de sua imitação de um colarinho branco. Isto, obviamente, é um acréscimo; mais ainda, é algo a que ele parece dar considerável importância, pois quando ele se dissipa, como continuamente ocorre, ele o refaz assim que percebe sua ausência; de fato, ele não permite que se desvaneça por completo, e por ora sua contínua rematerialização ocupa uma boa parte de seu tempo. As linhas e margens de seu casaco e colete, este último completo, com botões, aparecem na textura do que corresponde à sua pele, e ele consegue uma boa medida de permanência nos contornos. Com as calças ele ainda não teve muito sucesso, e até onde posso observar ele não fez qualquer ensaio de algum tipo de calçado. Seu pescoço e braços são finos, e longos demais para o nosso senso de proporção, e sua cabeça e membros são tão frouxos e esponjosos que neste aspecto ele me lembra uma boneca de trapos; mesmo assim ele consegue em certa medida enrijecê-los à vontade, como tem estado fazendo ao executar uma espécie de dança sacolejante, através da qual dá expressão a seus sentimentos de prazer por nosso retorno de uma ausência de dez dias. Os movimentos de suas danças são uma oscilação do corpo de um lado para outro, as pernas sendo mantidas juntas e depois curvando-se para fora, primeiro para a direita e então para a esquerda, os braços ao mesmo tempo sendo erguidos acima da cabeça. Estes movimentos não provocam uma mudança de posição na sala, embora resulte num tipo de movimento vagaroso e circular.

    A face é a mais desairosa, sendo quase negra, e a testa é longa e muito encurvada. Não há sobrancelhas, só pequenas órbitas e dois pequenos olhos redondos e negros como botões de sapatos, bochechas pequenas, ou antes afundadas, nariz longo e pontudo, boca larga, por meio da qual, junto com a expressão de seus olhos, ele é capaz de registrar algo de natureza semelhante a um sorriso de prazer. O queixo é pequeno e não tem forma fixa, mas varia de acordo com a expressão de sua face. Os braços terminam na aparência de um punho fechado; seus pés têm cerca de quinze centímetros de comprimento, e são pontudos.

    Por mais desajeitado e estúpido que esta descrição possa fazê-lo parecer, existe um espiritozinho muito brilhante habitando aquele corpo. Embora não seja capaz de nada que se aproxime de uma verdadeira afeição, ele encontra prazer suficiente em nossa sociedade para fazê-lo esquecer de seus lugares habituais em favor do ambiente incomum do interior de uma casa. Ele é capaz de reconhecer minha esposa e a mim mesmo como distintos um do outro e de outras pessoas, e em nossa companhia ele acha um nítido prazer. Ele não é tão sensível às vibrações de nossas auras astro-mentais como o são outras ordens de espíritos da natureza, e pode chegar bem perto de nossos corpos físicos, sentindo apenas prazer naquelas vibrações a que é capaz de responder. Depois de algum tempo ele sente um estímulo definido, e algo que corresponde no mundo dos sólidos a um ardor quente percorre seu pequeno corpo. Quando isto chega a certo ponto ele parcialmente se desmaterializa, e flutua para o jardim como se, naquele estado mais sutil, gravitasse para seu próprio mundo. Assim que o efeito passa, o que acontece em poucos minutos, ele volta e caminha pela sala completamente alheio.

    Olhando dentro de sua mente " por uma extensão das faculdades que me possibilitam ver sua forma " não encontro nenhuma lembrança desta experiência, nada, de fato, além de uma vaga sensação de que é agradável estar aqui. Há um reconhecimento instintivo de que o conteúdo da sala lhe é familiar, mas sem nenhuma lembrança definida de qualquer contato prévio com ela. Ele não vê nenhum objeto como nós o fazemos. Quando no chão ele vê as pernas da mobília e das pessoas; ele não tem percepção de nenhuma parte superior ligada a elas. Não sou capaz de ver como ele nos reconhece, embora ele certamente mostre uma preferência por nós, e no verão ele freqüentemente aparecia assim que púnhamos os pés fora de casa. Enquanto eu dito isto ele está bem atrás de mim, e em sua mente não há nenhum conhecimento de eu ter qualquer existência acima de meus quadris; de fato, sua concepção de mim agora parece-me ser como a de um par de calças vivo. Esta concepção o satisfaz plenamente. Se, contudo, ele me vê à distância, enxerga um pouco mais para cima, digamos até os ombros, e acima deles uma espécie de névoa brilhante. Ele tanto vê quanto sente a aura de saúde, e aprecia ficar dentro dela e receber o banho etérico.

    20 de março de 1925

    Depois de um intervalo de três meses ocorreu uma oportunidade de estudo adicional do gnomo. Ele tinha sido freqüentemente visto na casa e no jardim, mas, à parte uma saudação e uma olhada em sua direção, nenhuma atenção especial lhe era dada. Investigando suas circunstâncias mais detidamente, descobri que ele tem sido objeto de uma experiência especial por parte do deva que parece ocupar a posição de guardião da vida elemental no jardim e no grande pomar em torno, onde muitos milhares de jovens árvores frutíferas estão crescendo. Evidentemente este deva está muito compenetrado no trabalho de estimular a evolução daqueles sob sua responsabilidade, e sua atitude é muito semelhante à de um treinador de animais ou de um jardineiro, que poderia selecionar este ou aquele animal ou planta para um tratamento especial. Ele observara que o gnomo havia se tornado amigável conosco, e decidiu tirar partido do fato.

    Um resultado disto parece ser um considerável aumento na tendência imitativa natural do gnomo. Agora ele usa um colarinho branco que parece ter-se tornado permanente, e um casaco escuro, e seus membros inferiores estão perdendo sua magreza e estão começando a se assemelhar as pernas de calças. Também percebo que estas mudanças não são produzidas na maneira usual das fadas, como uma vestimenta acrescentada, mas são modificações reais do corpo etérico do gnomo. Mais notável que todas é a mudança em seu rosto, que está se tornando nitidamente mais claro na cor e redondo no formato. De início eu pensei que um espírito da natureza inteiramente novo havia entrado na sala, mas de fato é o mesmo amiguinho, pois a natureza e forma do gnomo são facilmente detectadas "sob a pele". Sua inteligência está nitidamente mais viva, e sua autoconfiança aumentou muito, pois ele subiu em meu joelho, embora não sem algum receio, a julgar pela expressão de sua face. Eu vejo agora que ele não faz isso por vontade própria, mas sob uma forte sugestão, quase hipnótica, do deva que está observando. Eu estava pouco consciente fisicamente no momento em que ele subiu ao meu joelho, pois eu estava tentando contatar a mente do deva; senti então um tremor, uma frieza peculiar e um peso levíssimo em meu joelho, que atraíram minha atenção " e eis que lá estava o homenzinho. Ele não pode ver o deva, pois não possui visão astral, mas reconhece uma influência familiar, e obedece instintivamente às sugestões que a acompanham.

    É evidente que em seu estado normal os gnomos são influenciados quase inteiramente pela consciência grupal, e que todas as suas atividades, na verdade todas as suas vidas, são expressões de impulsos instintivos que afetam toda a tribo. Só quando sua atenção é muito atraída para algum objeto externo, e a consciência é atraída para a forma etérica, é que existe uma semelhança de autoconsciência, e mesmo então é muito passageira. Para eles o progresso evolucionário é marcado por um gradual aumento no poder de consciência externa, na duração do tempo em que podem mantê-la, e por um aumento no grau de sua autoconsciência.

    Auxiliado pelo deva, vejo que por fim chega um tempo em que o sentido de autoconsciência se torna relativamente permanente e o gnomo de todo esquece sua tribo e por conta própria empreende algum trabalho ou se compraz em diversões. Isto descreve, e explica, o fato mencionado em meu primeiro livro sobre as fadas, de que os gnomos eram encontrados solitários, bem como em grupos. Ele diz que é possível a individualização do estágio de gnomo diretamente para as fileiras dos silfos, embora isto não seja usual, geralmente entrando em um reino elemental intermediário durante algum tempo. É difícil conceber o gnomo escuro e terrestre se tornando uma fada, mas o deva diz que não é incomum, e que, quando chega o tempo da mudança, o gnomo passa a ter mais e mais interesse em plantas, flores e árvores, gradualmente perdendo seu caráter terrestre e sua afinidade com este elemento, e assumindo as características das fadas. Lembro com interesse como eu costumava ficar confundido de ver gnomos ligados a árvores e portando asas, mas parece " e o deva o confirma " que estes eram estágios de transição. Ele explica que depois de passar por esta metamorfose, o gnomo se encontra em uma das famílias de fadas maiores, como as ligadas a árvores ou os tipos maiores de plantas floríferas; raramente, se isto chega a ocorrer alguma vez, ele inicia este novo ciclo de evolução aérea como uma das fadas menores como as que foram fotografadas " pois ele é nitidamente superior a elas na escala evolucionária.

    No caso particular que estamos estudando, a idéia parece ser a de trazer o gnomo para um contato com a humanidade tão próximo e constante quanto possível; o deva acrescenta "numa atmosfera onde atuam influências ocultas". Em outras palavras, ele está fazendo uso do fato de sermos estudantes de Teosofia e do elo que todo membro da Sociedade Teosófica tem com a hierarquia oculta que governa o mundo. Ele diz que as mudanças produzidas ocorreram em cerca de quatorze meses, e que ele começou a experiência no início do ano passado. Ele também põe o gnomo em contato freqüente com nosso jardineiro, e vejo que o gnomo o segue por aí e brinca por perto dele enquanto ele trabalha. Ainda que todo o caso tenha um lado nitidamente humorístico, o deva o toma muito seriamente.

    O deva em si é um indivíduo muito reservado e, embora amigável, tende a me considerar como uma parte útil em sua experiência, e mais como um acessório para ela do que como uma pessoa; de seu ponto de vista, toda a vida das fadas do jardim e pomar é afetada em grau considerável pelas vibrações teosóficas provenientes casa; parece que nossas meditações e práticas de cura enviam influências para o jardim, que ajudam a evolução dos reinos elementais. Isto é o motivo de o deva estar interessado em nós e tentar tirar todo o partido possível de nossa presença aqui. Ele é benévolo, embora peculiarmente distante, sendo interessado quase exclusivamente em seu trabalho sobre seu próprio reino da Natureza. 

    Toda esta propriedade de trinta e três acres está inclusa em sua esfera de influência, embora não em sua verdadeira aura. Seu método me recorda aquele empregado pelo deva da floresta de Nateby, descrito em Fairies at Work and at Play (Fadas Trabalhando e Brincando). Ele trabalha principalmente de uma posição central no ar sobre a propriedade, em uma altura de onde ele pode convenientemente manter toda a área sob sua influência. Ele a isolou nos níveis mental, astral e etérico, enclausurando-a dentro de "paredes" construídas pelo poder mental. Ele emprega dois métodos: um é derramar uma influência estimulante geral de seu próprio Ego em toda a propriedade, estabelecendo uma condição para as fadas similar à que uma estufa provê para plantas; ele também está em contato com fontes de poder espiritual, das quais ele é um canal para seus irmãos mais jovens. O outro método é por uma expansão de sua própria aura, cujas forças ele permite atuarem em várias partes do jardim e sobre diferentes grupos de espíritos da natureza. Ele é um perito neste trabalho, usando sua aura com a mesma facilidade com que usamos nossos membros; ele facilmente cobre um acre de terreno de cada vez, e aumenta seu brilho e densidade, afetando seja o todo, seja parte dele, à vontade.

    Embora ele trabalhe nos níveis da forma, sua consciência se estende aos mundos sem forma, onde é visto como um Ego de considerável adiantamento. Ele percorre os três planos até o etérico com grande facilidade, mantendo ao mesmo tempo sua atividade no nível Egóico, e seu contato com seus pares e superiores. Ele usa seus veículos com tal liberdade, e é tão obviamente mestre em seu trabalho em cada nível, que não parece possível que o livre fluxo de poder e consciência entre o Ego e a personalidade jamais seja rompido ou ameaçado; nisto ele difere consideravelmente de seus irmãos humanos que, em seu reino, estão fazendo esforços correspondentes. O tremendo impedimento de possuir um corpo físico e de ser parcialmente aprisionado nele se torna muito óbvio nesta comparação, e o excessivo efeito limitante e aprisionador do corpo físico denso é percebido quase dolorosamente. Na consciência dévica não vejo nada que corresponda à dor, desapontamento, depressão, medo, raiva ou desejo; nem há qualquer sinal de tensão, ou daquele intenso esforço que é requerido por nós para sobrepujar a inércia dos planos inferiores; nem ele tem que resistir àqueles apelos da natureza inferior pelos quais o aspirante espiritual humano è freqüentemente assaltado. O conteúdo de sua mente parece ser, primariamente, um intenso interesse intelectual em seu trabalho, que se mostra pelo brilhante amarelo dourado, que é a cor predominante em sua aura, o afeto por aqueles a seu cargo se mostrando como rosa, o interesse em seu progresso e a extrema adaptabilidade se mostrando como verde-maçã com lampejos de verde esmeraldino, tudo irradiado por fortes correntes de um branco vívido e incandescente, que representa o ardor de sua natureza, estimulado e suscitado pelas forças superiores para as quais é um canal.

    Não é fácil estimar seu tamanho, já que varia muito; quando primeiro o vi esta tarde ele havia descido até estar parcialmente dentro da sala, e então ele pareceu ter cerca de dois metros e meio, no que se refere à sua forma verdadeira; mas no ponto a que retornou, tendo liberado as forças áuricas que havia detido temporariamente, ele parece muito maior " talvez três metros e meio, enquanto que sua aura se expande até quase quarenta metros em toda a volta no nível astral, e de vinte e sete a quarenta metros no mental; é mais ou menos ovóide na forma, ainda que sem margens definidas claramente, mas ele pode estendê-la três ou quatro vezes seu tamanho natural, ou fazer que todas as suas forças sejam direcionadas para baixo e para fora para atuarem na área a seu cargo. Ele parece gravitar naturalmente em um ponto cerca de 30 a 40 metros acima do solo. Sou inclinado a pensar por este exame mais detido que ele realmente está interessado em nós, não digo ligado, ao seu modo dévico; pois há um nítido sentimento de seu fraterno reconhecimento de nós, e agora que ele está menos concentrado em seu experimento com o gnomo (que volta e meia ainda fica brincando pela sala), sua formosa e nobre face agora se suaviza em um sorriso; em resposta à minha promessa de ajudá-lo em seu trabalho, de minha maneira humana limitada, ele estende sua mão abençoando, e enche-nos por um momento com sua energia vital.

     

    CAPÍTULO IV 

    Fadas

    Em Cotswolds. Um campo de trevos

    2 de agosto de 1925

    Há um tipo de espírito da natureza aqui que pertence ao verdadeiro tipo da fada, e parece estar intimamente associado com o trevo. Tem forma feminina, usualmente cerca de noventa centímetros de altura, mas capaz de expansão até a estatura humana. Esta faculdade de expansão está sendo exercida em uma medida maior do que eu já observei antes, e é muito freqüentemente usada entre os períodos de "trabalho". Para o propósito de uma descrição mais detalhada, escolhi uma fada que se aproximou de nós e paira com seus pés logo acima dos botões do trevo. A forma é completamente coberta pela fluente túnica áurica; há uma túnica por baixo ou por dentro, verde pálida, de uma textura quase como chiffon, através da qual é vista em certos momentos a mais vaga sugestão de uma forma rosada, quando ocorrem mudanças na direção e forma do fluxo das forças áuricas. Sobre esta túnica interna, e mescladas a ela, há faixas na cor da flor do trevo, as quais, passando através da aura, aparecem sobrepostas ao verde; elas não assumem uma forma permanente, embora sugiram linhas fluindo a partir dos ombros, descendo juntas até a cintura e então se expandindo novamente à medida que fluem para os lados para as porções inferiores da aura.

    Mais uma vez se mostra a capacidade de imitação, pois quando tento fazer uma observação precisa esta fada que descrevo começou a imitar o casaco austríaco que visto, usando a cor malva do trevo para fazer o casaco. Ela é muito destemida e amigável, e "paira" a cerca de um metro e meio de distância, possibilitando-me assim ver claramente que bela criatura ela é. Fluem forças de sua aura de um ponto correspondente ao plexo solar, que parece ser uma parte vital de seu "corpo"; é de cor amarela dourada, e brilha como um sol miniatura; suas radiações parecem finas linhas douradas correndo por toda a aura; partem de ambos os lados do pescoço e fluem até a margem da aura, sugerindo vagamente umas asas. Há um outro centro na cabeça, de cor branca prateada, de onde, também, irradiam-se correntes de forças " principalmente em direção ao espaço acima da cabeça; isto representa a atividade astro-mental, e está constantemente mudando de cor e forma.

    A cabeça é a de uma jovem, cabelos e sobrancelhas castanho-escuros, a face belamente arredondada, de aparência louçã e saudável; o cabelo é usado longo, e flui para trás e para baixo desde a testa, e se dissipa em uma corrente de força áurica; a forma dos membros não é visível através da verde túnica áurica descrita a cima, mas os pés são guarnecidos de botinas delicadamente modeladas que sobem até a coxa, cujas aberturas superiores se estendem como pétalas de uma flor acima dos quadris, que parecem estar envoltos em meias verdes. As pétalas são de um tom de verde levemente mais escuro, e há um toque de amarelo em certas partes, embora sua posição seja mutável. A túnica verde a que me referi antes é muito ampla e frouxa, e sendo de uma textura extremamente diáfana, está em constante movimento, como se soprada continuamente pelo vento ligeiro. Ocasionalmente a forma central se torna inteira e claramente delineada. Sua disposição é jovial e brincalhona. Ela estende ambas as mãos diante de si, como se nos convidando a juntar-se a ela em algum jogo de fadas entre os trevos.

    Agora ela faz gestos de grande beleza que se sucedem com agilidade inexcedível. Posso observar três deles. Ela começa trazendo mãos e braços juntos completamente estendidos para baixo à sua frente, as palmas se tocando, os dedos estendidos. Ambos os braços então fazem um movimento circular para os lados e para cima, pausando por um momento na altura dos ombros e se encontrando novamente bem estendidos acima da cabeça. Mantendo as mãos juntas, ela traz os braços lentamente para baixo, bem estendidos à sua frente até a primeira posição, a partir da qual ela repete o processo. Ela agora reverteu este movimento e acrescentou mais dois raios de círculo através de pausas de uma fração de segundo com os braços abertos a meio caminho entre a horizontal e a vertical. O efeito disto foi o de estimular a atividade do centro do plexo solar em tal grau que toda a aparência de túnica descrita antes desaparece, assim como toda semelhança com a forma humana dos ombros para baixo, deixando só os centros do plexo solar e da cabeça com suas radiações de forças fluentes. Ela vitalizou-se com estes gestos, que constantemente repete, e aos quais está acrescentando outros tão rápidos que é impossível acompanhá-la. Agora ele está estendendo ambos os braços " um para a frente e um para trás " formando assim novamente raios de um círculo em posições a meio caminho entre a horizontal e a vertical; mas enquanto os "raios" do primeiro exercício descrito formavam um disco achatado de frente para o espectador, estes últimos adicionam uma outra dimensão à figura, e dão os diâmetros de uma esfera completa. É interessante notar que as mãos e os dedos são mantidos completamente estendidos e que as linhas de força saem deles até uma distância de cerca de vinte centímetros, aumentando consideravelmente a beleza do efeito. A esta altura ela chegou a um estado de exaltação; ela construiu, pelo movimento de seus braços e mãos, uma esfera completa em torno de si mesma de pouco mais de dois metros e diâmetro, na qual há dois focos - um no plexo solar e um na cabeça - mantendo a mesma posição relativamente entre si e a forma esférica, como os dois focos gêmeos de uma elipse. A face e os braços ainda são discerníveis, mas toda outra sugestão de aparência humana se desfez; há simplesmente um globo de força expansiva, cuja borda é claramente definida. Além desta margem há um cinza perolado tremeluzente que também consiste de linhas de força irradiantes.

    O contato com sua consciência, nesta condição, dá a sensação da mais radiante felicidade, de uma intensidade de prazer muito além de qualquer estado humano normal. Ao contrário dos espíritos da água que, tendo atingido o ápice de exaltação, imediatamente descarregam a força de que estão cheios, ela parece ser capaz de manter este estado. Agora ela está saindo da forma que criou, subindo lentamente para acima dela para um nível superior do plano astral, como que desaparecendo nele, até que a consciência, deixando o brilhante globo flutuar imóvel no ar, escapa e aparentemente retorna para a alma-grupo. A forma ainda permanece vívida, clara e radiante.

    Com o intuito de experiência, dirigi uma corrente de força para dentro da esfera; ele penetrou e passou através dela sem resistência, e sem perturbar a forma, e eu tive a sensação da mesma estabilidade que se acha em um giroscópio. A forma não resiste à passagem da força através dela, mas resiste a qualquer esforço para mudar sua forma ou posição; por exemplo, eu tentei elevá-la no ar sem sucesso.

    Há globos similares a este em diferentes partes do campo, e fadas, como esta descrita, com variações de tamanho, cor do cabelo e compleição. As que de fato estão trabalhando nos trevos mergulham dentro deles, imergindo no duplo astral da plantação, incluindo dentro de si mesmas uma área de 45 a 70 cm. Elas permanecem neste estado por algum tempo, então ressurgem, pairam um pouco no ar, voam para outra parte do campo, e repetem o processo. O campo tem aproximadamente dois acres de extensão, e deve haver pelo menos uma centena de fadas trabalhando nele.


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