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  • Os Ideais da Maçonaria - C.Jinarajadasa

    C.Jinarajadasa
    * C.Jinarajadasa
    OS IDEAIS
    DA
    MAÇONARIA

    (Palestra proferida em 1928, na cidade de São Paulo, em um antigo templo maçônico da Rua Tabatinguera.)

    Toda a religião existente, ou que haja existido, tem tido como um de seus objetivos desenvolver o sentimento de fraternidade entre os homens. Elas, porém, só tem alcançado um êxito parcial neste aspecto de seu trabalho. Basta contemplar o espetáculo dentro do Cristianismo, em que o povo cristão se tem combatido uns aos outros, por séculos, para verificar que existe um fundo de verdade no sarcástico comentário de um antigo pagão: "vede como esses cristãos se amam uns aos outros".

    Lado a lado com a religião externa de um povo, sempre existiu uma ou mais sociedades secretas que tem como objetivo desenvolver o sentimento de fraternidade entre os seus membros. Essas sociedades secretas são exclusivistas, isto é, admitem apenas aqueles selecionados para tal fim; possuem sinais secretos e palavras de reconhecimento entre si. Reúnem-se a portas fechadas e o que fazem é desconhecido do público em geral. Não estou revelando segredo algum de sociedade secreta ao que dizer que uma parte de seu trabalho visa unir seus membros por liames mais íntimos de fraternidade.

    Entre os muitos tipos de sociedades secretas a mais conhecida é a Franco-Maçonaria. Sob uma ou outra forma, a Maçonaria sempre existiu. É mais antiga que qualquer das religiões existente, pois que os sinais e símbolos maçônicos hoje usados se encontram esculpidos nos monumentos do Egito antigo. O público pode ver nas casas que vendem objetos maçônicos os "aventais" e "colares" que os maçons usam em suas cerimônias; raras vezes eles aparecem com suas alfaias em público. Os faraós do Egito apresentam-se nos monumentos, usando o colar e o avental, posto que o avental de então não seja quadrado como o de hoje, porém triangular. Certos sinais maçônicos aparecem também no famoso "Livro dos Mortos".

    Por que é que a Maçonaria tem persistido através das idades, enquanto que as religiões, sucedendo-se, vêm e vão? Há duas razões principais para isso. A uma delas já aludi, e é a fraternidade. Os que entram para sociedades secretas, que possuem os ideais da Franco-Maçonaria, acham-se ligados uns aos outros por fortes laços de fraternidade. Essa fraternidade se dirige em primeiro lugar aos membros da sociedade secreta, porém não deve parar por aí. O verdadeiro maçom deve praticar para com todo o mundo as três grandes virtudes da Maçonaria sobre as quais constantemente se insiste nas reuniões maçônicas e que são: "Amor Fraternal, Socorro e Verdade". O maçom deve ser caridoso, homem de palavra, e cheio de simpatia para com todos que dele se aproximarem.

    Por que necessita ele se filiar a uma sociedade secreta a fim de praticar essas virtudes? Não são elas ensinadas em sua religião? São, porém, de certo modo, posto que sobre elas se ouça falar na Igreja, falta-lhes a intensa realidade e vida que nelas encontra em sua Loja Maçônica. Há alguma coisa em sua Loja que torna mais fácil compreender essas virtudes especiais, quando lá lhe são expostas. Acontece em sua Loja o que vulgarmente não se pode explicar, que traz o ideal da fraternidade mais para perto dos acontecimentos da sua conduta diária. Um homem pode ser bom, isto é, pode ser um centro de amor, caridade e inspiração, pertencendo a qualquer religião ou a nenhuma. Um homem é bom não pelo que as Escrituras ou os sacerdotes lhe ensinam, mas em virtude do que se encentra em seu próprio coração e mente. Na verdade, a religião auxilia o homem a despertar a bondade e a virtude latentes que nele existem, mas este pode também chegar à origem dessas virtudes sem religião alguma, se simplesmente atender às determinações internas de sua alma.

    A Maçonaria toma o homem no ponto em que ele se encontra e tenta fazer vir à existência, em sua própria natureza, o sentimento de fraternidade. Digo que a Maçonaria toma o homem "no ponto em que ele se encontra", entendendo por esta expressão que a tradição imemorial da Maçonaria prescreve que todos os homens de todas as crenças podem tornar-se maçons, embora permanecendo dentro do âmbito de sua própria religião. Permiti que explique este fato por meio de um incidente que teve lugar há um século entre os maçons da Inglaterra.

    Não é mais segredo que os maçons que se tem como operários e costroem um edifício, falem do "Grande Arquiteto do Universo". Alguns maçons ingleses, na época a que me refiro, desejaram precisar melhor quem é o "Grande Arquiteto do Universo", e assim quiseram que fosse feita uma declaração de que o Grande Arquiteto do Universo é "Deus", isto é, a Divindade adorada no Cristianismo que elegeu os judeus como o povo escolhido, que enviou seu Filho para salvar o mundo e cujos ensinamentos se encontram no Velho e Novo Testamentos. Tal definição do Grande Arquiteto, como Deus cristão, teria imediatamente excluído hindus, os zoroastrianos, os maometanos e outros que acreditam em Deus, porém não aceitam as tradições dos judeus, ou que Jesus Cristo seja o único Filho de Deus. A Grande Loja da Inglaterra recusou, portanto, definir a frase "Grande Arquiteto do Universo", e deixou a cada maçom tornar mais precisa a significação dessa frase, de acordo com sua tradição religiosa. Assim acontece agora que, quando um cristão presta seu juramento em certas cerimônias maçônicas, fá-lo sobre a Bíblia, e o hindu o presta sobre os Vedas, o zoroastrino sobre o Zend Avesta e o muçulmano sobre o Alcorão.

    Um passo avante de modo definido na prática dos ideais maçônicos, da fraternidade, foi dado quando certos maçons franceses, há trinta anos, decidiram admitir as mulheres na Maçonaria. Esta Instituição Maçônica, que tem o seu quartel general em Paris, é conhecida sob o nome de "Supremo Conselho da Co-Maçonaria Universal", e tão rapidamente se expandiu que dificilmente se encontrará um país na Terra onde ainda não existem Lojas Co-Maçônicas. De fato, a admissão de senhoras nas Lojas Maçônicas não constitui uma inovação; é antes uma reversão ao antigo costume. Vê-se pelas pinturas nas tumbas e pelos manuscritos do antigo Egito que a esposa se acha presente quando o marido, como sacerdote, executa cerimônias; na Índia também certas cerimônias existem em que a presença da esposa é necessária. Aqueles dentre nós, homens, que são maçons, verificaram que a beleza do ritual lucrou imensamente com a cooperação das mulheres; sabemos que uma mulher pode "dirigir uma Loja" tão eficientemente quanto um homem. Em geral, as mulheres que entram para a Maçonaria, tomam-na mais a sério do que os homens; descobrem não somente ideais de fraternidade e ética, porém ainda mais um misticismo que as inspira profundamente.

    É este elemento místico na Maçonaria que é hoje praticamente ignorado por todos os maçons masculinos. O especial valor do movimento Co-Maçônico para a Maçonaria em geral, resulta do fato de existir nela tão grande número de teosofistas trabalhando, que estudam as suas tradições e encontram não somente "Amor Fraternal, Socorro e Verdade", porém profundas verdades relativamente à natureza de Deus, do homem e do Universo. É pelo fato de todas as grandes verdades da religião existirem na Maçonaria, que esta tem perdurado, apesar das modificações produzidas pelas guerras e calamidades.

    Há no mundo dois tipos de religião, que se acham bem ilustrados pelas duas formas de cristianismo: O Catolicismo e o Protestantismo. O primeiro caracteriza-se por múltiplos rituais com cuidadosas cerimônias; ao passo que o segundo se acha isento de muito cerimonial. Nenhuma das formas é melhor do que a outra, porém ambas produzem diferentes efeitos no indivíduo.

    O propósito fundamental da religião é, como já disse, capacitar o homem e a mulher religiosos para a descoberta da sua própria religião por experiência direta, pessoal. Não tem grande importância o fato de ser essa descoberta efetuada ou não com o auxílio de cerimonial e sacerdotes. É verdade incontestável que onde quer que a religião tenha muito ritual, uma classe especial de homens experimentados em ritual, os sacerdotes, se torna necessária para o culto, como também é verdade que freqüentemente os sacerdotes se organizam a si mesmos numa classe e impõem a sua autoridade, dizendo que sem o auxílio dos sacerdotes não é possível aproximar-se de Deus. É então que se faz necessário um protesto contra a autoridade sacerdotal, como aconteceu nos primórdios do protestantismo. Um protesto, porém, contra os sacerdotes, como classe, não implica que suas cerimônias sejam ineficazes. Uma tal suposição seria o mesmo que afirmarmos, pelo fato de o motorista de um veículo estar embriagado, que os veículos não tem utilidade. Deve haver alguma utilidade nas cerimônias, pois que, desde os primórdios da religião, sempre o ritual e o cerimonial sob alguma forma têm sido associados com a religião.

    Ora, a Maçonaria é, por excelência, um culto de cerimonial, posto que seu propósito é edificar os homens numa fraternidade única de cooperadores com o Grande Arquiteto do Universo. A Franco-Maçonaria Ocidental possui trinta e três graus, que se acham divididos em quatro seções conhecidas respectivamente por Maçonaria Azul, Maçonaria Vermelha, Maçonaria Preta e Maçonaria Branca. Cada grau tem o seu ritual apropriado ou modo de compreensão de como o Grande Arquiteto opera em Seu Universo; ensina com que particulares virtudes e capacidades pode um franco-maçom cooperar, entre os homens, com o trabalho oculto continuamente efetuado pelo Grande Arquiteto.

    A Maçonaria ilustra, portanto, por meio do ritual, qual a conduta para um indivíduo que se determina cooperar com o Criador. As cerimônias da Maçonaria são simbólicas, isto é, revelam ao observador cuidadoso verdades secretas. Da natureza das verdades secretas eu vos posso sugerir, mostrando-vos a significação interna de um cerimonial, que todos conheceis bem em vossa religião, porém de cuja verdadeira significação poucos provavelmente se apercebem. Refiro-me a cerimônia da missa, que todo o sacerdote católico deve executar todos os dias.

    Haveis inquirido já a razão pela qual o sacerdote na missa usa uma casula, tendo nas costas uma cruz? Por que há três degraus dando acesso ao altar? Por que se acha o missal a princípio do lado direito do sacerdote e depois é removido para a esquerda? Toda a ação do sacerdote é simbólica, isto é, recorda algo do que aconteceu outrora. Naturalmente, a cerimônia da missa destina-se a comemorar a última ceia, tal como se há descrito em S. Mateus 26:26-28:

    "...E quando se achavam comendo, Jesus tomou o pão, abençoou, partiu e deu aos discípulos dizendo: tomai e comei; este é o meu corpo. "...E tomou o cálice, deu graças e lho deu dizendo: Bebei dele todos, pois este é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos para remissão dos pecados."

    Estas palavras do Cristo não indicam que devem existir sacerdotes, diáconos, sub-diáconos; que o sacerdote deve vestir uma Alba, passar uma corda à cintura, por uma estola e uma casula; que a cerimônia da missa deve ter um intróito, um ofertório, um cânone e post comunio. Todas essas complicações se originaram dos simples atos mencionados. Por que é tão complicada a cerimônia da missa?

    Porque em todos os rituais, de todas as religiões, existem certas concepções fundamentais de misticismo. E essas mesmas concepções se encontram por debaixo do ritual maçônico também, conquanto o maçom mediano nada saiba em relação a elas. Por que existe uma tão amarga hostilidade entre o catolicismo romano e Maçonaria? Por uma razão muito simples: é que ambos ensinam os mesmos mistérios.

    Permiti registrar que entrei para a Maçonaria há vinte e quatro anos e me filiei à Co-Maçonaria que, então, era um movimento recente, afim de poder ajudar a causa das mulheres. Desde então tenho avançado de grau em grau. Durante vários anos fui Mestre de Cerimônias de minha Loja na Índia; depois, durante dois anos sucessivos, fui seu Venerável. Possuo o grau de Mark-Master da Maçonaria do Real Arco e pertenço a dois de seus Capítulos, um em Londres, outro em Madras (Índia); neste último ocupo a posição de Primeiro Principal. Pertenço também a vários Capítulos do Décimo Oitavo Grau da Rosa-Cruz e fui o chefe do Capítulo Rosa-Cruz ao qual pertenço, na Índia. Tenho também o Trigésimo Grau na Maçonaria, a de Cavaleiro Kadosh. Tenho consagrado templos e capítulos em muitas partes do mundo, e freqüentemente tenho sido "Oficial Instalador", quando novos oficiais numa Loja ou Capítulo são empossados. Além disso, pertenço a uma rara divisão da Maçonaria, conhecida como Rito de Mênfis, e nela ocupo o penúltimo grau; o santuário dos Ritos era em Palermo. Digo "era", porque o santuário deste rito encontra-se agora fechado, afim de não entrar em conflito com os decretos do governo fascista. Sempre me hei de lembrar que, quando fui admitido ao Santuário do Rito de Mênfis, durante uma parte da cerimônia foi usada a espada de Guiusepe Garibaldi, que fora um membro do Santuário. Menciono todos estes fatos acerca de minha pessoa, afim de vos demonstrar que sou não somente um maçom, porém um dos estudantes dos mistérios e tradições maçônicas. Foram os mistérios da Maçonaria os que sempre me fascinaram; a fraternidade ensinada na Maçonaria é apenas o ABC de conduta que aprendi como teosofista, muito antes de me tornar franco-maçon.

    Pertenço a uma religião, o Budismo, que não possui sacerdotes consagrados, nem cerimônias de culto considerada como necessária à santidade. Iniciei, portanto, a minha vida com uma tendência anticerimonial, porque se sabe, pelos exemplos da história, como os sacerdotes, com suas cerimônias, suprimem a liberdade do pensamento e da ação. Porém cedo, após haver entrado na Maçonaria, comecei a verificar que as cerimônias do Hinduísmo eram muito semelhantes às do catolicismo romano e que a maçonaria tinha muitos pontos de contacto com ambas. Assim, pois, comecei a estudar o ritual da missa, e a ler, ao mesmo tempo, certos rituais antigos do Hinduísmo. E ao percorrer, um por um, ascencionalmente, os graus da Maçonaria, sentia-me sempre bem, pois que rapidamente compreendia o significado interno de cada grau, por haver estudado o cerimonial da missa e o que de análogo havia no Hinduísmo em relação à ela. Permiti que eu vos esboce a idéia que se encontra sob o cerimonial.

    Todo ritual parte do axioma de que Deus existe. Não importa que nome Lhe seja dado. Esta Divindade é sempre um construtor, não um Deus imóvel, simples espectador. Ele não criou o Universo outrora somente, mas o está criando a todo instante. A Divina Ação é perpétua; se por um instante o Grande Arquiteto repousasse em Sua ação, o Universo morreria, como fenece uma flor.

    Existe, porém, uma segunda verdade sobre a qual todos os cerimoniais estão fundamentalmente edificados. É que a criação do Universo por Deus é um ato de autosacrifício. Ensina-se no Cristianismo que o Cristo é o "Cordeiro Imolado desde o começo do mundo" e que veio afim de ser crucificado; que a Sua crucificação, de certo modo misteriosa, faz parte do plano de Deus para a salvação da Humanidade. Se Cristo não viesse voluntariamente a este mundo, com conhecimento prévio de que seria torturado e crucificado, não existiria hoje caminho aberto aos homens para a redenção. Esta mesma verdade é ensinada no Hinduísmo. Foi pelo fato de Prajapati, o Criador do Universo em Pessoa, se haver deitado sobre um altar, para aí ser oferecido como vítima, que o Universo veio à existência. Todo o misticismo ensina esta mesma verdade - a de que Deus tem que morrer, voluntariamente, afim de que o Seu Universo e os Seus filhos possam vir à existência. A morte de Osíris no Egito, a de Átis na Assíria, a de Cristo na Palestina, a de Hiram Abiff, quando o Templo do Rei Salomão estava sendo construído, todas elas revelam a mesma verdade de que o Absoluto que chamamos Deus ou o Grande Arquiteto do Universo, executou no início do mundo um ato voluntário de imolação de si mesmo, afim de que as almas individuais pudessem vir à existência. É por isso que em vosso ritual cristão da missa o santo pão e o vinho consagrados se tornam o Corpo e o Sangue de Cristo, e são denominados "Hóstia", palavra que significa "vítima".

    E este autosacrifício de Deus, sem o qual a criação do Universo não é possível, é uma ação contínua, isto é, está se sacrificando a todo instante pelo bem de Seu Universo. Existe um outro axioma em misticismo: o de que Deus e o homem são um e não dois. Por muito diferente que pareça o homem de Deus, quer em bondade, quer em grandeza, no entanto, de certa maneira mística, tanto a bondade como a grandeza de Deus se acham latentes nele. Desde que o homem, pois, em certo modo é Deus, desde que é, por assim dizer, "Deus Encadeado", a sua felicidade vem da sua imitação de Deus. Se Deus cria, o homem deve também criar; se Deus tem necessidade de morrer, o homem necessita de morrer também; se a morte de Deus é um sacrifício voluntário, o homem precisa, também, sacrificar-se voluntariamente; e, finalmente, se Deus, morto, ressurge dentre os mortos, também o homem, ao morrer, passará além da morte, para a imortalidade. A grande máxima em todo o ritualismo é "em cima, como em baixo", isto é, essa seqüência de acontecimentos divinos que tem lugar no reino invisível de Deus, acha-se de certo modo misterioso refletida em nosso mundo humano, nos acontecimentos desta terra, desde que tenhamos olhos para ver.

    Compreendereis agora porque durante a missa o sacerdote usa casula, um vestuário com uma cruz nas costas. É porque, nessa ocasião, o sacerdote representa o Cristo. O sacerdote cristão tem um papel dual na cerimônia; ele é ao mesmo tempo o cristo que se oferece como vítima para a salvação do mundo e um representante do povo, que intercede perante Deus, afim de que Cristo se manifeste sob o aspecto de pão e vinho. O altar, de acordo com os rituais católicos, é tanto o calvário como a mesa da última ceia. De qualquer maneira o sacerdote comemora sempre o sacrifício do Cristo no calvário; esta comemoração, porém, não constitui somente um mero registro de um acontecimento que teve lugar há dois mil anos; a comemoração consiste em se tornar efetivo esse acontecimento, reproduzindo-o dia após dia por meio de um ritual. A crucificação do Cristo tem lugar a todo instante, tal como seu corpo outrora foi despedaçado na Palestina, assim também todos os dias, sobre milhares de altares e sob o símile do pão consagrado, é Ele partido. Pois é pelo fato de o autosacrifício de deus ser um autosacrifício perpétuo, que o homem pode elevar-se de sua humanidade limitada até a realização de si próprio como Divindade.

    É esta mesma verdade concernente ao autosacrifício que é ensinada na Maçonaria. Cada maçom deve ser um construtor; é um operário sob a direção do Grande Arquiteto que planeja um edifício maravilhoso, que é a "Grande Loja Eterna", o Universo perfeito. Para construção desse edifício perfeito, cada maçom tem que trazer sua "pedra perfeita", perfeita por haver sido experimentada e constatada como "verdadeira" pela perpendicular, pelo nível e pelo esquadro. Ele não pode conhecer o verdadeiro segredo de sua arte enquanto não passar através de certas experiências de fé e martírio e saber que, como construtor, virá a perder a sua vida, e como indivíduo fiel ao seu juramento, ressurgirá novamente dentre os mortos. Necessita buscar o que estava perdido e descobri-lo, afim de poder cooperar com alegria na obra que o Grande Arquiteto do Universo está executando.

    Disse já que um axioma inerente a todo verdadeiro cerimonial é que "o que está em baixo é como o que está em cima". Eis porque toda Loja Maçônica é, simbolicamente, uma miniatura do Universo, com um teto que é o céu. O Venerável de cada Loja é uma representação do Rei Salomão, que outrora construiu um Templo perfeito; porém, ao construí-lo, o próprio Rei Salomão era somente um representante do Grande Arquiteto. A grande verdade encontrada em todo o misticismo de que Deus mora em nós, ensinada no Cristianismo pelas palavras de S. Paulo, "Cristo em vós, a esperança de Glória", encontra-se no Hinduismo nas palavras "tat tvem ai" (tu é Aquele), esta mesma verdade aparece na Maçonaria na reverência prestada ao Venerável em sua capacidade Simbólica, e na oportunidade proporcionada a todo aprendiz ingressante de tornar-se um Mestre em sua Loja por meio de fiel serviço.

    Na Maçonaria Azul, na Vermelha, na Preta e na Branca cada grau superior ensina novas verdades, revelando o significado oculto da máxima: "O que está em baixo é como o que está em cima". Grau a grau o maçom aprende a desenvolver novos aspectos de seu caráter. Desenvolve essa faculdade latente, não somente para si mesmo, mas também para a humanidade. Pois assim como o sacerdote na missa é o intercessor perante Deus em nome do povo, assim também o verdadeiro maçom executa seu trabalho na Loja, não para si mesmo, mas para o mundo. É pelo fato de em cada sessão de Loja Maçônica que executa bem o seu trabalho, alguma coisa de útil e inspirador irradia para o mundo, que a Maçonaria não pode ser suprimida, posto que certos governos o hajam tentado. É perfeitamente verdade que os maçons em certos países intervieram nos negócios nacionais, umas vezes sabiamente, outras não. A independência da Itália foi grandemente auxiliada pelos maçons, que protegeram os patriotas, perseguidos pelos tiranos. Deu-se o mesmo em outros países, onde os maçons se puderam ao lado das liberdades do povo. Penso, porém, que pouca dúvida resta de que, em alguns países, onde o verdadeiro propósito da Maçonaria não foi compreendido, a sua organização em massa foi utilizada de um modo destituído de sabedoria, no sentido de dominar a política nacional. Deixando de lado essas exceções à benéfica tradição da Maçonaria, permanece o fato fundamental de que, onde maçons se reúnem em Lojas "sobre o esquadro", as forças da Luz Oculta de deus nos corações dos homens são libertas para benefício do mundo. Porque é que libertam essas forças, reunindo-se a portas fechadas e guardando seus segredos zelosamente?

    É um axioma em Maçonaria que os maçons se reúnem para trabalhar. Que espécie de trabalho particularmente útil para o mundo podem eles executar com seus misteriosos segredos? Este trabalho é de natureza tríplice. O primeiro trabalho que fazem é no sentido de intensificar o espírito de moralidade no mundo. Toda a reunião maçônica, seja de uma Loja, seja de um Capítulo, tem como aspecto regular de seu trabalho a afirmação, tanto ao candidato que é iniciado, como aos irmãos mais velhos, de certas verdades éticas referentes à reta conduta. O maçom ideal é um homem de conduta perfeita, observando, tanto em espírito como na letra, os preceitos da mais alta moralidade. Domina seus corpos, purifica suas emoções e torna-as elevadas pelo adestramento na contemplação de horizontes mais amplos. Dado o fato de os maçons não serem reclusos, que se retiram do mundo, porém homens e mulheres que nesse mundo vivem e trabalham, a moral maçônica não é abstrata, mas intensamente prática.

    Como em uma Loja estas verdades referentes ao amor fraternal, socorro e verdade se acham expostas em detalhes, e como cada maçom presente a elas lhes presta seu assentimento, essas verdades são facilitadas em sua realização aqueles que não são maçons. Um pequeno corpo de pessoas que ardentemente desejam compreender o que seja a mais elevada moral, intensifica as aspirações morais do mundo inteiro, reunindo-se a portas fechadas. O pensamento é um poder formidável, e quando esse poder é gerado, não por indivíduos separados, porém reunidos, como numa Loja, seu poder é acrescentado em progressão geométrica, de acordo com o número daqueles que cooperam e com a intensidade de sua aspiração. Toda a reunião maçônica, seja de Loja ou Capítulo, torna a compreensão das verdades morais um pouco mais fácil por parte do mundo em geral. Todo o homem que não seja maçom e que deseja saber onde se acha "o Caminho, a Verdade e a Vida", aproxima-se mais de sua meta, pelo fato de um pequeno grupo de seus semelhantes se reunir em segredo para executar seus ritos.

    A segunda parte do trabalho que a Maçonaria executa é o de auxiliar a dissipar as nuvens que cobrem as mentes dos homens em relação ao seu futuro, após seus corpos haverem voltado ao pó de que são constituídos. Sobre esta parte do trabalho da Maçonaria moderna, nada posso dizer numa reunião pública; porém, como vos disse, a Maçonaria continua as antigas tradições dos mistérios do Egito e da Grécia, de Israel e da Índia. Em todos esses antigos mistérios, como, por exemplo, nos mistérios de Eleusis, uma parte do trabalho feito em segredo era o de proporcionar ao iniciado a certeza de que, para além do túmulo, semblantes amigos o saudariam e que ele entraria, não em terra estranha, porém na "Grande Loja Eterna", onde todas as coisas lhe serão familiares, por ter trabalhado numa Grande Loja aqui em baixo. Se cada maçom conhecer o que a Maçonaria lhe ensina, não poderá ignorar a imortalidade da alma. Se qualquer ramo da Maçonaria nada fizer para perpetuar a tradição maçônica, estará desperdiçando uma boa parte de seu tempo e de sua energia.

    Chego agora à terceira espécie de auxílio que os maçons proporcionam ao mundo. O que direi parecerá coisa nova a muitos maçons, pois existe muito de mera fórmula e pouco de realidade por detrás dela.

    No entanto, seja pelo fato de a simples forma ser atrativa, o que é fora de dúvida é de que o maçom devotado à sua Loja acha verdades morais de mais fácil compreensão, que quando essas mesmas verdades lhe são pregadas de um púlpito. Existe, porém, uma admirável realidade por detrás da forma, e é unicamente essa realidade invisível que torna a Maçonaria um tão poderoso fator para o bem do mundo.

    Já fiz menção da antiga máxima "o que está em baixo é como o que está em cima". "Em cima" está a consciência de Deus, que sustenta todo o mundo visível e invisível em sua Natureza. Na mente de Deus, o Universo não é qualquer coisa que, uma vez criada, fique para sempre estática. Deus criou o Universo afim de que ele chegue a perfeição, estágio após estágio. Na mente Divina, onde a perfeição última de todas as coisas - homem, quadrúpede, pássaro, planta e rocha se acham decretada, existe uma série de acontecimentos, direcionando todos para a perfeição. Usando o símile de um ritual, na Mente de Deus a todo instante está tendo lugar um acontecimento maravilhoso e belo. É como se um drama perfeito, um ritual inteiramente belo, estivesse sendo representado em Sua Mente, desenvolvendo, por esse modo, o Seu drama de fazer sair a perfeição da imperfeição. Este ritual é a obra de Deus, como Grande Arquiteto do Universo. Ele é o Venerável de Sua "Grande Loja Eterna".

    Quando, portanto, aqui na terra, é ordenado um ritual, simbolizando esta eterna seqüência de acontecimentos no drama Divino da Grande "Loja Eterna", então alguns dos poderes dos reinos espirituais são atraídos a terra para servirem de auxílio aos homens.

    É esta unidade misteriosa do que está "em cima" e do que está "em baixo" que constitui o significado real da cerimônia da missa, como sabe todo católico místico. A autoimolação de Cristo, que teve lugar uma vez, deve ser comemorada diariamente por todo sacerdote, afim de que o poder de Cristo possa ser atraído para a terra em auxílio dos homens. A história da vida de Cristo, desde o nascimento até a crucificação e todas as estações da cruz, estão sendo representadas a todo instante num reino místico, embora presentemente a dor da tragédia tenha passado para Ele. Como essa história da vida é sempre representada em símbolo (como se faz na missa), o reino do espírito se une ao reino da matéria, e neste símbolo do pão e do vinho desce Deus à terra outra vez para habitar entre os homens.

    Assim também se dá com a Maçonaria. O Grande Arquiteto trabalha a todo instante construindo o Templo Perfeito. Quando os maçons trabalham simbolicamente em Loja, para construir um Templo com "Colunas", com três "Pilares", simbolizando a Tríplice Natureza do Grande Arquiteto - Sabedoria, Força e Beleza - os dois reinos do espírito e matéria se unem, e a Grande Loja Eterna envia suas forças espiritualizantes para a Loja aqui em baixo. É por isso que toda Loja Maçônica, ao encerrar sua reunião, distribui suas forças para o mundo. Tal como se dá com um reservatório que haja lentamente captado água de muitas pequenas correntes e por fim transborda, irrigando os campos, assim se dá com uma Loja Maçônica. Os maçons trabalham como instrumentos da "Grande Loja Eterna", pela qual são distribuídas forças para auxiliar os homens.

    Temo haver conduzido alguns dentre vós demasiado longe no reino do misticismo; não penseis haver eu elaborado belas teorias tiradas da minha cabeça. Lembrai-vos de que a Maçonaria é muito antiga; A Maçonaria moderna é apenas a última expressão dos mistérios que foram poderosos no Egito, na Grécia e em Israel, e o são ainda na Índia e na China. Muitos maçons modernos cuidam simplesmente da boa camaradagem, que as reuniões e banquetes da Loja lhe proporcionam, Porém entre os maçons há crianças, como também existem os mais velhos e mais sábios. Estes últimos hão de ter já descoberto algumas das misteriosas verdades que se referem ao poder secreto da Maçonaria, os quais vos tenho procurado descrever, sem violar meus compromissos maçônicos.

    Há um fato interessante sobre cerimonial maçônico, e é que ele não cansa o indivíduo, quando propriamente executado. Certamente existe uma grande soma de atividade no ritual, nos Oficiais que tem de estar alerta a todo instante. Como atores no placo, tem eles que decifrar suas partes, que são às vezes difíceis para aqueles dentre nós que já ultrapassaram a meia idade e cuja memória está enfraquecida. Se o ritual for executado brilhantemente, como acontece quando todos os que estão presentes conhecem suas partes perfeitamente, uma desusada espécie de vitalidade se verifica na reunião maçônica. Como até o presente tenho servido em diversos cargos, e como trabalhadores mais jovens, tanto mulheres quanto homens, estão se apresentando para continuar o trabalho, posso agora me sentar "no Oriente" como veterano, e vigiar e contemplar.

    E esta vigilância e contemplação encerram uma notável fascinação. Muito tive de meditar em assunto espiritual, mas isto me é agora inteiramente familiar. No entanto, ao ouvir as palavras que tantas vezes tenho repetido, observo certas coisas que dúzias de vezes tenho visto, e me aparecem subitamente novas verdades que não havia descoberto antes. Simbolismo e alegoria são duas maneiras pelas quais são ensinadas as verdades superiores aos maçons; eles me são agora familiares, e já instruí a outros o seu significado. Entretanto, agora mesmo, ao sentar-me no "Oriente", o antigo ritual possui uma frescura e beleza que me haviam escapado. O ritual não envelhece, mesmo que se o conheça muito bem. Por outro lado, cada vez que observo seu desenvolvimento, descubro alguma nova verdade quanto à vida e à conduta. Por que é que a Maçonaria não envelhece?

    Porque a Maçonaria é uma exposição da vida - a vida que nós temos de viver. Não se trata de um mero cerimonial combinado por alguém que tivesse imaginação dramática. A Maçonaria é uma exposição da vida, justamente como se dá na celebração da missa, que o é igualmente. É porque cada grau da Maçonaria, desde o primeiro até o trigésimo terceiro, é uma exposição da vida, que "uma vez que se seja maçom, sempre o há de ser".

    Para terminar, qual é a mensagem da Maçonaria? É a de que cada um de nós deve ser um construtor, trabalhando na ordem hierárquica, de acordo com sua capacidade. Cada um deve contribuir com seu trabalho, crescer por meio dele, afim de se tornar capaz de um esforço maior. Pois a vida não se parece com uma corrente tranqüila que passe vagarosamente entre duas margens; mais se assemelha a uma torrente, cujas águas são dirigidas através de uma estação de força elétrica, para gerar uma corrente que possa ser enviada a fábricas e lares distantes. Somente quando a vida é criadora, gerada por meio da mente e do coração, da intuição e do espírito, é que a vida é verdadeiramente digna desse nome. Transformar a vida afim de criar mais vida - tal é a mensagem da Maçonaria para o franco-maçon. E é por isso que termino com sua prece: "Que Deus preserve a Arte!".

    * C.Jinarajadasa, ex-presidente internacional da Sociedade Teosófica.



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