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  • H.P.BLAVATSKY - DADOS BIOGRÁFICOS

    H.P.BLAVATSKY
    DADOS BIOGRÁFICOS

    Helena Petrovna Blavatsky
    A BENDITA MALDIÇÃO Nada é uniforme na natureza. A Terra é cheia de irregularidades que vão desde o deserto mais inóspito até ao pico nevado da montanha. Os seres humanos seguem a mesma lei. A grande maioria, entretanto, é plana, sem qualquer atração. Só poucos seres, psicologicamente falando, atingiram as culminâncias das montanhas. Pouquíssimos são os Himalaias do espírito. Esses picos isolados não são compreendidos pelos homens da planície. Surgem daí o ataque, a crucificação, as lanças, as balas, a cicuta, os aviões assassinos cruzando os céus, recursos usados pela mediocridade em defesa de sua tranqüilidade ameaçada. A Sabedoria Eterna da índia nos fala das três qualidades da Natureza: Tamas, Rajas e Satva. Tamas é a inércia, que vai desde a imobilidade do mineral até a mente do homem comum, fechada aos estímulos da vida espiritual. Rajas é o movimento que está presente em tudo. A força do vento, das marés, da energia contida no átomo e nas estrelas. E a pressão que está sempre modificando o existente a fim de que uma nova forma de vida possa nascer. Os jovens, os revolucionários e todos que lutam de infinitas maneiras para promover as transformações, são instrumentos dessa Lei suprema. Por fim, a harmonia de Satva. O equilíbrio dentro do aparentemente instável. A conscientização de uma Paz que está no coração de tudo desde todo o sempre e que foi esquecida. Uma visão ampla da realidade mostra essas três qualidades sempre em ação. Os que se arriscaram em ir contra a ordem estabelecida das coisas colheram em todas as épocas os resultados negativos dessa atitude. C.G. Jung afirma, em seu livro A realidade da alma.

    "Pensar de modo diverso do aceito pela corrente do momento tem sempre um caráter clandestino e danoso, quase indecente, doentio, ou blásfemo, e por essa razão é socialmente perigoso para o indivíduo. Aquele que pensa por conta própria está nadando insensatamente contra a corrente".

    A única observação que podemos fazer, discordando em parte do famoso autor, é que se não tivesse a raça humana homens que lutaram a qualquer preço, "insensatamente contra a corrente", estaríamos talvez ainda morando nas cavernas. A Sabedoria Divina da Natureza serve-se desses homens predestinados como instrumentos da transformação do mundo. Há, sem dúvida, por trás de todos os acontecimentos aparentemente sem significação um Governo Oculto. Uma afirmativa dessa natureza pode escandalizar os "modernos", os de mente científica que não compreendem a verdadeira Ciência, os materialistas que só acreditam no que vêem e, no entanto, são cegos de nascença que nunca poderão compreender, por mais que falem, o que seja o Sol. Esse Governo, inúmeras vezes analisado por vários autores, entre os quais o controvertido Renê Guenon, é uma realidade. Sente-se a sua presença no cair de uma folha, nas forças desencadeadas num terremoto, no brilhar de uma estrela. Tudo está significativamente ligado dentro de um Plano maior, cujo desígnio não compreendemos. Os verdadeiros cientistas, nos seus laboratórios de pesquisa, sentem a presença dessa predestinação.

    Helena Petrovna Blavatsky, ou melhor, H. P. B. -como é conhecida de muitos - foi um desses seres predestinados de que falamos. Sua vida a qualifica como uma das mais extraordinárias criaturas de todos os tempos. Algo fora do espaço e do tempo, que se movia em dimensões que não eram as comuns. Sua atuação foi tal que levantou contra si, bem como os que a cercavam como discípulos fiéis, toda sorte de ataques. Ainda hoje, apesar de ter morrido em 1891, muitos são os que a consideram como a maior charlatã do século XIX. Aos poucos a verdade histórica está sendo restabelecida e das nuvens das calúnias surge o pico da verdade que ela tão bem defendeu. Recentemente, Jacques Bergier apresenta em seu livro Les livres Maudits uma série de meias verdades. Segundo ele, pesa sobre Blavatsky uma terrível maldição. Seu crime foi o de ter revelado ao mundo as chamadas Estâncias de Dzyan, pela primeira vez apresentadas ao público de língua portuguesa nesta edição. O texto, cuidadosamente guardado nos mais fechados mosteiros do Tibet, é defendido de todas as formas contra a divulgação. Leva o selo de "Secreto" e ninguém poderá profaná-lo impunemente. Seu conhecimento revela as chaves do conhecimento do passado mais remoto e põe à disposição do leitor estranhos poderes. Os trechos que H. P. B. divulgou são apenas os que levantam uma ponta do véu sobre a origem do Universo, da terra e do homem e são curiosamente "modernos". Bergìer vai mais além, ao denunciar a existência de uma misteriosa fraternidade dos "homens de negro". Uma espécie de máfia do espírito humano, que tem por função manter a humanidade escravizada aos seus obscuros dogmas e interesses. Aqui está uma das meias verdades que mencionamos. É preciso mencionar que acima desses homens existe uma Fraternidade Negra que se opõe a tudo que poderá libertar o homem. Suas ramificações e sub-ramificações são insondáveis. À primeira vista estão completamente desligadas. Olhadas em profundidade, notasse claramente suas conexões. Por assim dizer, a mesma mão que assassinou Erico Mattei, crucificou Cristo e levantou contra H. P. B. todas as calúnias. Essa super-máfia era antigamente simbolizada pela figura do demônio, o Príncipe do Mal, o Senhor das Trevas. É uma força que existe efetivamente, como declarou o Papa Paulo VI, e está sempre atenta para atuar em todos os campos. Basta o equilíbrio ser ameaçado, uma luz começa a surgir, uma idéia nova proliferar para que esse Supermecanismo de censura seja automaticamente acionado. São inúmeras as vítimas dessa Organização das Trevas. Sócrates bebendo cicuta estava sendo assassinado para que não colocasse a inquietação filosófica na mente dos homens. Giordano Bruno torrando na fogueira dava a vida pelo crime de dizer ao homem que os mundos eram infinitos... Todas as idéias de abertura e aprimoramento são um estágio da evolução que leva o homem a Deus. São conceitos muito perigosos, porque podem promover o despertar das massas que essa Fraternidade Negra tanto teme. Ela se serve habilmente da chamada Opinião Pública para arrasar os que pretende destruir. Corrompe de todas as formas o discernimento da criatura humana. A Sociologia levantou um pouco o véu ao estudar o mecanismo dos grupos de pressão e suas técnicas de defesa daquilo que julgam o certo. Utilizam desde a corrupção pura e simples às contas numeradas dos bancos suíços, não vacilando em recorrer ao assassinato, se necessário. Blavatsky tinha consciência dessa enorme pressão e assim se referia à chamada opinião pública:

    "A opinião pública é um tirano invisível, intangível, onipresente; uma hidra de mil cabeças; é a mais perigosa das bestas, pois é composta de mediocridades individuais".

    Vejamos quais os tabus que H.P.B. teve a coragem de quebrar e de onde nasceram os virulentos ataques que teve de suportar em vida e depois de morta. Podemos apontar oito causas fundamentais:

    1-querer ser verdadeiramente mulher, totalmente emancipada e não uma boneca escrava dos homens para ser utilizada como mera fábrica de prazer ou trabalho;

    2 - viajar constantemente pelo mundo, numa época em que as comunicações eram difíceis e o sentido de informação praticamente não existia;

    3 - possuir poderes psíquicos de grande desenvolvimento e que provocavam, inúmeras vezes, grande curiosidade em torno de si;

    4- ter repudiado publicamente o Cristianismo e se convertido ao Budismo. Contra ela caía a cólera dos missionários que tentavam em vão converter os "infiéis";

    5 -apresentar ao mundo o valor imenso do conhecimento tradicional da índia. Foi ao ler os livros de Helena Blavatsky que Gandhi encontrou a sua vocação;

    6 - não possuir título universitário e ter a coragem de escrever contestando inúmeras idéias em vigor na época.

    7 - ser russa de nascimento, o que já era condição não muito favorável. Suas constantes deslocações no mundo causavam em muitos círculos a suspeita de que fosse espiã a soldo do Tzar. Contra ela movimentaram-se serviços de contra-espionagem de vários países;

    8 - ter total desprezo pela opinião pública. Não pretendia ser agradável a ninguém, e adotou como divisa a frase que mais tarde se tornou o lema da Sociedade Teosófica, por ela fundada: "Não há religião superior à verdade".

    Qualquer desses pontos sendo perigoso por si, o que não seria então o poder combinado deles? A vida fantástica de H. P. B. contém vários romances de aventura que estão à espera de um autor, definitivo, apesar das inúmeras biografias publicadas. Cada vez mais se faz sentir a necessidade desse livro; à medida que o tempo passa e as cinzas das paixões deixam de a fumegar, a figura magistral dessa mulher começa a surgir nítida no panorama dos grandes vultos da história humana.

    Helena Petrovna Blavatsky, a predestinada, foi cercada de fatos extraordinários desde o seu nascimento, em 30 de julho de 1831. A pequena localidade de Ekaterinoslava, na Ucrânia, estava, como toda a Rússia, varrida por uma epidemia de cólera. As igrejas regurgitavam de gente pedindo aos céus que a ira divina fosse aplacada. Nas estradas as carroças afundavam na lama, cheias de corpos, e ali permaneciam à espera dos abutres. Por toda parte as cores negras, as janelas fechadas, o medo do contágio. Um dos primeiros biógrafos de Blavatsky, Sinnett, afirma: "ela entrou no mundo no meio de caixões e lágrimas". Seu batizado, cercado de toda a pompa da igreja ortodoxa russa, reúne no templo toda a família e os servos. Subitamente uma vela mal segura põe fogo nos mantos do pope que oficiava. A cerimônia foi interrompida e o sacerdote retirado, seriamente queimado. A superstição dos mujiques via nesse acontecimento o dedo do destino e logo uma série de histórias estranhas começou a circular enquanto a pequenina Helena crescia como os animais, solta, livre, misturava-se com os camponeses nos seus folguedos, montava a cavalo em pelo. Certo dia, brincava perto de um riacho com um garoto de sua idade. Enfurecida por qualquer razão, manda o seu companheiro, numa praga, para o reino de Rossalka, o temido demônio feminino das lendas da Ucrânia. Por coincidência trágica, o menino morre afogado ao fugir espavorido, aumentando ainda mais a aura estranha em tomo dela. Seu avô era então Governador de Saratov, onde vivia num velho castelo em que a pequena gostava de brincar. O que a atraía entretanto não eram os salões luxuosamente adornados à francesa e sim os subterrâneos onde ninguém entrava porque eram, segundo a tradição, assombrados por aqueles que ali morreram acorrentados. Muitas vezes o avô teve que mandar grupos de servos com archotes à procura de sua neta no meio desse labirinto de celas e passagens, indo encontra-la perdida em contemplação junto a algum esqueleto. Apesar dessas fugas, das corridas loucas nos campos, a jovem recebeu uma educação tradicional. Lia e falava corretamente francês, fazia trabalhos manuais, estudava piano, pintava aquarela. Seguia o modelo tradicional da época, em que uma moça nobre devia ser um objeto de adorno para os salões iluminados. Convém notar que H. P. B. não recebeu qualquer tintura de educação universitária, fato que mais tarde iria surpreender muita gente tal o grau de erudição por ela apresentado nos mais diversos campos. Aos 18 anos é obrigada a se casar com o General Nikifor Vassilyevich Blavatsky, vários anos mais velho que ela. Não se submete de forma alguma ao marido, e ele a mantém praticamente prisioneira, com guarda permanente para evitar qualquer fuga. Consegue entretanto burlar a vigilância, e escapar. Auxiliada finalmente pelo pai, começa uma das mais extraordinárias vidas de que há memória. É impressionante o número de viagens e regiões visitadas por ela. Façamos um rápido resumo:

    1849-50 - Cruza a Turquia, a Grécia, o Egito e atinge a França. 1851- Encontra pela primeira vez seu mestre. Aquele que iria daí por diante orientar sua vida espiritual.

    1851- (Outono) -Parte para o Canadá, onde irá investigar. a maneira de viver dos índios. Reúne-se a uma tribo próximo a Quebec e permanece durante algum tempo estudando a medicina natural. Pouco depois vamos encontrar a sua passagem em Nauvoo, Ilinois, procurando conhecera comunidade Mormon, que tinha se deslocado para Salt Lake City, no Utah.

    1851 - (Inverno) - Vamos encontrá-la às voltas com o ritual de feitiçaria Vudu em Nova Orleans. Parte para o Texas em direção à América Central, via México.

    1852 - Encontra no Texas um velho canadense, chamado Père Jacques, famoso pelos seus poderes divinatórios. Chega ao Peru descrevendo com detalhes vários templos na sua obra Isis sem Véu.

    1852 - (Verão-Inverno) - Encontra nas índias Ocidentais um inglês que tinha conhecido na Alemanha e estava procurando a mesma coisa que ela. Em Petrovsk, no Cáucaso. Volta à Itália.

    1865-1867 - Consegue penetrar no Tibete onde recebe instruções num mosteiro na região de Chigadze.

    1867 - (Primavera) - Novamente na região balcânica, em particular na Hungria. Há notas manuscritas em que ela fala da sua jornada de barco pelo Danúbio e de diligências passando pelas cidades de Brasso, Szeben, Fehervar, Belgrado e outras.

    1867 - (Outono) - É encontrada em Bologna, na Itália, onde está envolvida com revolucionários italianos. Lutou ao lado de Garibaldi na Batalha de Mentana, onde foi ferida no dia 2 de novembro.

    1868 - Vamos encontrá-la em Florença, de onde parte para Belgrado, na Iugoslávia, e daí para Constantinopla. Depois de algum tempo na Turquia dirige-se mais uma vez para a índia.

    1869 - H. P. B. está mais uma vez no Tibete em companhia de seu mestre.

    1869-1870 - Permanece recebendo treinamento em vários mosteiros tibetanos. Há uma carta entregue à sua tia, em Odessa, na Rússia, que diz: "Os nobres parentes de Mme. H. Blavatsky não têm qualquer causa para preocupação. Sua filha e sobrinha não deixou este mundo. Está viva e deseja que aqueles que a amam saibam que está bem e sente-se muito feliz nesse distante e desconhecido local que selecionou para si. Esteve muito doente, mas já está boa; graças à proteção do Senhor Sang-gyas encontrou amigos devotados que tomaram conta dela material e espiritualmente. Que as senhoras fiquem portanto calmas. Antes de 18 novas luas terem surgido, ela voltará à sua família".

    1870 - No fim desse ano está na índia retornando à Europa pelo Canal de Suez.

    1871 - (Verão) - Parte para o Egito procedente do porto grego de Pireu a bordo do SS Eunomia que afundou, em virtude de uma explosão entre as ilhas de Doxos e Hydra, no dia 21 de junho. Este fato é mencionado como tendo sido produzido pelos homens de negro para destruí-Ia em virtude de ter sido iniciada nas Estâncias de Dzyan. Seja com for, Helena Blavatsky foi uma das poucas sobreviventes da catástrofe, tendo recebido toda assistência do Governo Grego que a envia para Alexandria, no Egito.

    1871- (Outono) - Forma uma Sociedade Espírita, no Cairo, a fim de, investigar os fenômenos mediúnicos. Fracassa no empreendimento. Parte do Cairo em abril de 1872, indo para a Síria e a Palestina. Entra em contacto com a comunidade dos Druzos do Monte Líbano.

    1872 - (Verão) - Retoma a Odessa antes das 18 luas, conforme indicado por seu mestre, mas não permanece muito tempo.

    1873 - Já está na Rumânia, em Bucarest, de onde parte para Paris, indo residir com seu primo na Rue de l'Université, 11. Subitamente parte para a América onde chega no dia 7 de julho. Passa dificuldades financeiras em virtude da morte de seu pai. Trabalha na imprensa, escreve artigos para jornais russos, traduz. Muda-se constantemente. É intensa a curiosidade que desperta em todos os círculos.

    1874 - É enviada para presenciar os estranhos acontecimentos espíritas ocorridos no caso dos Eddy, em Vermont. Lá encontra, no dia 14 de Outubro, seu companheiro de ideal, o Coronel Henry Steel Olcott, que estava em missão jornalística. Escreve como conseqüência um artigo intitulado As manifestações Eddy para o The Daily Graphic.

    1875 - Entre inúmeras atividades, funda a Theosophical Society, que iria ter uma atuação marcante na formação do mundo do século XX.

    1876 - Escreve sem parar Isis sem Véu, que seria o seu primeiro marco como ocultista. Colabora em vários jornais norte-americanos e russos.

    1878 - Naturaliza-se norte, americana. Parte para a índia mais uma vez, no SS Canadá, acompanhada de Henry Olcott. 1879 - Permanece algum tempo em Bombaim, morando em Girgaum Back Road 108, no bairro nativo da cidade. Encontra-se com Alfred Sinnett, chefe da redação do jornal The Pioneer, que possuía grande penetração na Índia. Visita as cidades do norte da Índia. As grutas de Karli, Rajputana, Allahabad, Cawnpore, Jajmow, Butpore, Jeypore, Amber, Meerut, e outras.

    1880 - Intensa atividade da propagação da Teosofia. Parte para o Ceilão onde recebe a consagração como Budista. Volta à Índia onde vai para Simla, Amritsar, Benares.

    1881- Novamente em Simla, Umballa, Dhra Dun, Saharanpore, Meerut e outras.

    1882 - H. P. B. está em plena atividade na índia. Seu dinamismo e surpreendente. No dia 9 de outubro está novamente em território tibetano nas fronteiras do Sikkim. Nesse ano é comprado o parque de Adyar, em Madras, onde permanece a Sociedade Teosófica até hoje.

    1883 - Foi novamente um ano de grande movimentação na índia. 1884 - Volta à França, onde trabalha na sua obra máxima A Doutrina Secreta. Visita a Inglaterra no interesse do trabalho, bem como a Alemanha. Em novembro encontra-se no Cairo com o célebre egiptólogo Maspero. Parte para o Ceilão onde chega no dia 17 de dezembro. Em dezembro a Sociedade de Pesquisas Psíquicas publica o seu primeiro relatório confidencial a respeito dos estranhos poderes de H. P. B.

    1885 - Adoece ao ponto de todos pensarem na sua morte. Subitamente volta ao normal. Deixa a índia, para nunca mais voltar, a bordo do navio SS Tibre. Hospeda-se na Torre del Greco próxima a Nápoles. Visita a Suíça de passagem e instala-se em Wurzburg, na Ludwigstrasse, nº 6. Mergulha firme na elaboração da Doutrina Secreta. O segundo relatório da Sociedade de Pesquisas Psíquicas é publicado. Nele o pesquisador Richard Hodgson revela que todas as cartas e fenômenos ocorridos pela atuação de H. P. B. seriam forjados. O escândalo é enorme. Blavatsky defende-se provando por todos os meios a sua inocência mas a calúnia é insidiosa e iria durante anos refletir na sua imagem. Depois da sua morte, ficou definitivamente afastada qualquer possibilidade de fraude. Prova-se que Hodgson tinha sido ludibriado na sua fé pelo casal Coulomb, que tinha forjado as provas contra H. P. B. E que por trás de todos os acontecimentos estavam alguns missionários da índia que viam temerosos o avanço das idéias defendidas por Blavatsky. Jacques Lantier, no livro publicado em 1970, La Théosophie ou l'invasion de la spiritualité orientale, reconhece que "o escândalo orquestrado visivelmente pelo Governo Inglês e as missões, atingiu o mundo inteiro. Exageraram de indústria as conclusões denunciadas".

    1886-Continua em Wurzburg, escrevendo A Doutrina Secreta. Em julho parte para Ostende, na Bélgica.

    1887 - Cai gravemente enferma. O término de A Doutrina Secreta parece cada vez mais difícil. Reúne todas as suas forças e continua a trabalhar infatigavelmente. Muda-se para Londres onde passa a residir em Lansdowe Road.

    1888- Em outubro é publicada em dois volumes A Doutrina Secreta. A pequena edição de 500 exemplares esgota-se rapidamente.

    1889 - Reside na França em Fontainebleau, onde escreve de cor A Voz do Silêncio. Nesse mesmo ano surge The key to Theosophy.

    1890 - Já muito doente, continua o seu trabalho de difusão da Sabedoria Antiga.

    1891- No dia 8 de maio, H. P. B. falece, em Londres.

    Todos esses acontecimentos aqui apresentados, de forma quase telegráfica, permitem situar sua figura impressionante no cenário mundial. Sua vida foi um turbilhão de acontecimentos, desde o nascimento até o dia em que fechou os olhos. A maldição que caiu sobre as suas costas foi a de auxiliar o nascimento de uma nova consciência do ser humano. Sua participação no plano do pensamento é tão importante quanto a de Einstein na revolução da física de Newton. O Programa Original da Sociedade Teosófica, emitido por ela em 1886, é tão importante para o mundo quanto a Carta das Nações Unidas. Os seus objetivos são os seguintes:

    1- A Fraternidade Universal.

    2 - Nenhuma distinção poderá ser feita por qualquer membro entre raças, credos, posições sociais, devendo cada um ser retratado de acordo com os seus méritos pessoais.

    3 - Estudar as filosofias do Oriente - especialmente as da índia, apresentando-as gradualmente ao público em vários trabalhos que interpretarão as religiões esotéricas à luz dos ensinamentos esotéricos.

    4-Oposição ao materialismo e ao dogmatismo teológico de todas as formas possíveis, demonstrando a existência de forças desconhecidas da ciência na natureza, e a presença de poderes psíquicos e espirituais no homem.

    A importância de tais ensinamentos no mundo de hoje é real unificação aos povos ~na de todas as divisões ilusórias de fronteiras. O planeta em que vivemos é um só. Os nossos problemas interessam a toda a raça humana. Dessa forma, a Fraternidade Universal como uma vivência terá de nascer. Teilhard de Chardin, entre os pensadores cristãos, foi um arauto desse novo mundo. Da mesma forma, o filósofo Aurobindo, na índia, falava a mesma linguagem. Aos poucos, apesar de todos os esforços dos homens de negro que não descansam jamais, o limiar de uma nova era está nascendo. Foi essa a extraordinária missão recebida por Helena Petrovna Blavatsky. A sua Bendita Maldição.


    H.P.Blavatsky

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